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Faz na próxima semana um ano que Vasco Coelho Santos e uma curta e jovem equipa abriram no centro do Porto, o Euskalduna, um dos projectos de cozinha contemporânea mais interessantes que vi nascer nos últimos anos.

 

Para comemorar a data, o chefe do Porto convidou para jantares a quatro mãos sete chefes talentosos portugueses de várias regiões do país, numa espécie de Rota das Estrelas alternativo. A festança durará uma semana com Vasco a desafiá-los a saírem das zonas de conforto e trabalharem com ele um menu de outras regiões que não as suas.

 

 

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publicado às 11:50

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Sempre ou quase sempre que se fala do Guia Michelin é para se falar de estrelas e, para dizer a verdade, há muito que não se encontra grande interesse nos guias para além destas atribuições. Desde há uns anos, talvez pela queda nas vendas, os próprios responsáveis do guia devem ter percebido que tinham de fazer algo. Numa altura em que todo o mundo tem um smartphone com Google Maps na mão, os mini mapas do guia de papel tornaram-se pouco relevantes. Por outro lado, as escolhas dos restaurantes não estrelados há muito que deixaram de ser uma referência (se é que alguma vez o foram) e mesmo os Bib Gourmand nunca pegaram.

  

Com mais ou menos critica, justiça ou injustiça a questão das estrelas continua em alta pelo que do ponto de vista estratégico o empenho dos responsáveis do guia teria de ser colocado na melhoria do restante conteúdo. E isso começou a ser visível de há um par de anos para cá (ou talvez até há um pouco mais) com os comunicados de imprensa (e não só) a darem maior ênfase, sobretudo aos Bib Gourmand. De facto, os destacados com esta referência nas diversas edições mundiais melhoraram a olhos vistos... excepto em Portugal.

 

No post anterior, escrevia o Duarte, que já tem o guia de 2018 em papel, que alguém lhe disse que a Michelin tinha enviado cá uma pessoa para tratar dessa parte dos não estrelados e que isso era visível em Lisboa, com a inclusão de restaurantes que têm sido uma referência (ou pelo menos têm sido bem sucedidos), ainda que no Porto, mais até do que no resto do país (digo eu), continuasse tudo na mesma - o que só por si já seria suficiente para considerar que essa história dos critérios serem os mesmos em todo o mundo é uma bela treta. São mais ou menos na questão das estrelas, mas não são de todo nas outras escolhas

 

Mas vejamos a actual lista dos Bib Gourmand em Portugal, os tais com boa “relação preço qualidade” que a guia vermelho começou a dar relevância um pouco por todo o mundo:

 

 

ALGARVE

Albufeira / Sesmarias : O Marinheiro

Lagos: Don Sebastião,

Poço Barreto: O Alambique

 

ALTO ALENTEJO

Évora : BL Lounge, Dom Joaquim, Origens (novo)

Portalegre: Solar do Forcado, Terrugem, A Bolota

 

BAIXO ALENTEJO

Alcochete : Don Peixe

Sines: Cais da Estação, Trinca Espinhas

 

BEIRA ALTA

Tonda : 3 Pipos

Viseu: Muralha da Sé

 

BEIRA BAIXA

Covilhã: Taberna A Laranjinha (novo)

 

BEIRA LITORAL

Águeda: O Típico

Aveiro / Costa Nova do Prado: Dóri

Cantanhede: Marquês de Marialva

Salreu: Casa Matos

 

DOURO

Carvalhos: Mário Luso

Maia / Nogueira: Machado

 

ESTREMADURA

Bombarral: Dom José (novo)

Leiria / Marrazes : Casinha Velha

Lisboa: D’Avis, Solar dos Nunes

Queluz / Tercena: O Parreirinha

 

MADEIRA

Câmara de Lobos: Vila do Peixe

Funchal:Casal da Penha (novo)

 

MINHO

Braga: Centurium

Guimarães : Histórico by Papaboa

Pedra Furada: Pedra Furada

Viana do Castelo: Tasquinha da Linda (novo)

Viana do Castelo / Santa Marta de Portuzelo: Camelo

Vila Nova de Famalicão / Portela: Ferrugem

 

RIBATEJO

Malhou: O Malho

 

TRAS-OS-MONTES

Alijó: Cêpa Torta

Chaves: Carvalho

Macedo de Cavaleiros: Brasa

 

Sem querer desrespeitar algum dos restaurantes que aqui constam (que merecem a referência) digam lá se esta lista tem algum jeito?

 

Não há mesmo nenhum restaurante do Porto com “bom preço qualidade”?

E em Lisboa, só há mesmo dois e são o D’Avis e o Solar dos Nunes?

 

Será que os restaurantes destas duas cidades atingiram preços demasiado elevados, mas Madrid e Barcelona, não?

 

Não querendo chamar-lhe outra coisa, no mínimo, chamo-lhes um mistério.

 

Nota: os Bib Gourmand deixaram de ter a referencia a um preço mínimo “menos de 35€”, para Espanha e Andorra e “menos de 30€” para Lisboa, nesta edição. Agora são apenas “a melhor relação qualidade-preço”

 

---------

 

P.S: num post anterior referia o facto do comunicado vir escrito em bom português ao contrário do que acontecia na versão lusa do guia até ao ano passado (dizem-me que este ano melhorou, mas só vendo para crer).

 

Porém, uma questão continuava a irritar-me solenemente e que via como uma negligência e um falta de respeito: a menção em espanhol ("la guía") no bordado das jalecas dos chefes de Portugal que ganharam as estrelas. Apesar de em anos anteriores, eu e outras pessoas, termos chamado à atenção os responsáveis espanhóis do guia para este facto, fizeram sempre vista grossa.

 

Só que desta vez deixei-me de falinhas mansas e resolvi disparar a torto e a direito (em português, espanhol e inglês) no Twitter, a rede social mais utilizada no meio gastronómico espanhol. Fiz bullying com alguns dos meus colegas de lá, que mostraram apreço e foram solidários (alguns “re-twittaram” mesmo) e disparei nas contas da Michelin Espanha, na da directora do guia ibérico Mayté Carreño e na do director de comunicação Ángel Pardo. Nunca responderam, como previa. Porém, quando “taguei” Claire Dorland uma responsável do comité executivo internacional (que está acima dos regionais), esta simpaticamente respondeu assim:

 

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Às vezes protestar veemente e em várias direcções resulta. Vamos ver se a promessa se cumpre.

 

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publicado às 08:30

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por Duarte Calvão, em 24.11.17

 

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Desde que entrei para o Facebook no início deste ano que estou mais a par de certas opiniões e reacções de um público que vai para além daqueles que se interessam pela gastronomia, nomeadamente da chamada “alta cozinha”. Verifico que é voz corrente considerar que Portugal é “injustiçado” pelo guia Michelin, que beneficia Espanha e outros países e não compreende ou não quer compreender a nossa cozinha. Que se assim não fosse, os restaurantes portugueses ostentariam tantas estrelas como os demais. Ora essas opiniões têm alguma justificação, mas já tiveram muito mais. É assim que vejo, pelo lado positivo. Em primeiro lugar, julgo que é benéfico ter uma classificação independente e credível como é a do guia Michelin, sobretudo num país em que as pessoas não gostam de ser avaliadas, que julgam que todos somos “iguais”  - como se na cozinha, no jornalismo, no futebol, na arquitectura ou em qualquer actividade, não houvesse quem tenha mais talento do que outros, seja mais estudioso ou trabalhador do que outros, que tenha mais sorte do que outros.

 

 

 

 

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publicado às 19:35

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