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Lisboa à Mesa - Guia Onde Comer. Onde Comprar

por Miguel Pires, em 09.11.11

A proposta


Em Novembro de 2010 um amigo, profissional exigente, perguntava-me: «Pires, queres escrever um guia de restaurantes de Lisboa? Há uma editora muito interessada no projecto». «Um guia? E quantas pessoas vão trabalhar no projecto?», perguntei, imprudentemente. «Tu!»

É preciso ter apetite, estômago, alguma fé e uma certa inconsciência para aceitar um desafio destes sozinho. Fiquei a matutar sobre o assunto e fiz algumas contas de cabeça. Ora no último ano e meio devo ter estado em mais de uma centena de restaurantes de Lisboa. Com dedicação à causa, é possível em seis, sete meses experimentar outros 100 e assim chegar uma lista de 150/200 restaurantes.

 

Por que não?


Há mais de 20 anos que vagueio por esta cidade que amo (com todos os seus defeitos e virtudes) e muitos desses passeios foram realizados em busca de restaurantes, cafés, tascas, esplanadas, produtos, ingredientes, aromas e culturas diferentes. Esta era uma nova oportunidade, com um objectivo concreto, para continuar a sentir o pulso à cidade e continuar a conhecer as diferentes «Lisboas» que existem em Lisboa. Não havia como não aceitar o desafio.

 

Onde comer, onde comprar – um guia com opinião


A proposta é simples. Escrever um guia para foodies e aspirantes a tal. Um guia dirigido a um público abrangente que se interessa por restaurantes mas que gosta também de cozinhar e de sair em busca de ingredientes e de gourmandises.

Como já há uns anos que escrevo criticas gastronómicas para várias publicações, queria imprimir um registo próprio, de autor, com opiniões expressas sobre os locais seleccionados.

 

O factor X


Apesar deste posicionamento diferenciador, era importante ter algo mais para dizer sobre os locais. Nasceu então a ideia de indicar em todas (ou quase todas) as entradas, um factor X, uma espécie de valor gastronómico acrescentado. Pode ser um segredo, uma piada, um fait divers, uma sugestão, uma receita, um produto, uma pessoa que frequenta o local, a melhor mesa, etc.

 

Ordenação por tags


Pretende-se que um guia seja um objecto útil e por isso apostei também nos índices. Ou seja, para além de listas por ordem alfabética, zonas geográficas e preços, apresento ainda várias ordenações por diversas características a que dou o nome de tag (um termo roubado à web, curto e abrangente).

Em termos de zonas geográficas, com o apoio do geógrafo urbano, João Seixas, dividi a cidade em 15 zonas e recorri a nomes de fácil identificação (freguesias, bairros, nomes oficiais, nomes populares, eixos viários, etc.).

 

Favoritos e «mínimos olímpicos»


Os cerca de 300 locais que constam neste guia foram percorridos por mim, nos últimos dois anos. Alguns são visita habitual de há muito e outros surgiram a partir de sugestões de amigos e de noticias da imprensa. Outros ainda, estão cá simplesmente porque tropecei neles ao acaso e gostei. Nem todos são fantásticos, mas todos têm características que me fizeram considerá-los: cumprem, pelo menos, os «mínimos olímpicos» e têm personalidade própria. Entre todos, distingo e dedico mais espaço a 50 restaurantes (e afins) e 25 lugares de compra. São os meus favoritos.

 

Presenças, ausências e incongruências


Apesar de ter percorrido uma boa parte de Lisboa, é normal que o leitor ache que falta este ou aquele lugar e não concorde com esta ou aquela presença. Procurei a diversidade e pretendi ser abrangente, mas não exaustivo. E sendo este um guia de autor, o mesmo exprime os meus gostos, vivências, valores, defeitos e incongruências.

Por falar em incongruências há dois outsiders nestas páginas. Dois bares que resolvi incluir propositadamente: o Cinco Lounge, que não serve comida, e o British Bar, onde a pouca comida que há, é má. Porquê? Porque sim (bom… a resposta está no guia).

Com uma ou outra excepção, privilegiei locais mais personalizados, pelo que optei por não incluir cadeias de supermercados nem cadeias de restaurantes (que por vezes frequento), embora reconheça que muito se evoluiu neste domínio.

Lojas de acessórios e de vinhos ficarão também para uma futura edição.

 

Preço médio e a actual conjuntura


Todos os restaurantes têm a indicação de um intervalo de preço médio. Salvo informação em contrário, o intervalo apontado refere-se a uma refeição à carta, com bebida e ao jantar.

Procurei restaurantes de todas as faixas de preços porque apesar da actualcrise económica, continuará a existir, em Lisboa, público para todo o tipo de restaurantes. No entanto, não podia ser insensível à actual conjuntura e por isso tive o cuidado de procurar locais com preços acessíveis, como se poderá verificar no quadro abaixo, em que metade dos restaurantes indicados se situa abaixo dos 25 €.

 

Até 15€

15€/25€

25€/35€

35€/50€

+50€

19%

32%

26%

18%

5%

 

Acompanhe-nos e contacte-nos

 

É provável que no período de vida útil deste guia alguns dos locais referenciados venham a fechar portas. Em lisboamesa.wordpress.com poderá acompanhar as notícias nesse sentido.

 

Este texto, que funciona como uma espécie de carta de intenções, é parte (quase) integral da introdução que escrevi no livro e que o Duarte Calvão teve o bom senso, perdão, a amabilidade de prefaciar.

 

Pronto agora vou plantar uma árvore e ver se faço um filho. 

 

 

Nota: o livro encontra-se à venda nas principais livrarias, podendo também ser adquirido nas lojas online, WookBertrand e Fnac

 

Leia ainda:

publicado às 09:15


41 comentários

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De Luís Paiva a 10.11.2011 às 18:32

Miguel,

Parabéns e Sucesso!

Abraço,

Luís
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De Jorge Nunes a 11.11.2011 às 08:16

Parabéns Caro Miguel,

Desejo-lhe o maior sucesso para o seu primeiro livro.

Penso que me vai ser muito útil. Se há coisa que me dá prazer é andar pela cidade a descobrir lugares, pessoas, aromas, sabores, muitas vezes atraído por dicas que leio aqui no Mesa Marcada.

Já deixei o pedido na chaminé.

Cumprimentos,

Jorge Nunes
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De Catarina Segorbe a 11.11.2011 às 12:22

Parabéns Miguel!Eu quero este guia!Onde posso comprar?

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De Miguel Pires a 13.11.2011 às 11:21

Obrigado, Catarina.

Ontem dei uma volta por várias livrarias e encontrei-o na Almedina (uma livraria que gosto muito, no Atrium Saldanha) e em todas as Bertrand em que entrei. Penso que também já esteja nas Fnac.
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De António Moura a 15.11.2011 às 11:25


Caro Miguel, já consegui comprar o seu livro, já tive oportunidade de o percorrer do princípio ao fim.


Trata-se de um guia inovador e bem feito. Parabéns.


Consegue descobrir o lado positivo de cada restaurante que o Miguel aprecia.

 

Gosto que tenha tido a coragem de ter elegido os seus favoritos, com tudo o que isso possa agradar a uns e não a outros.

Gosto das análises sintéticas.

 Consegui encontrar alguns restaurantes que vou querer conhecer. Noutros descobri abordagens diferentes que complementam a opinião que já tinha. Mas no geral, tive prazer de concordar com tudo o que li.

Lisboa e a sua restauração ficam a ganhar com este livro.

Se este livro fosse um restaurante, mereceria ganhar uma estrela! 

E agora Miguel, qual é o \"next step\"?
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De Miguel Pires a 15.11.2011 às 18:32

António

muito obrigado por esta sua apreciação. Vindo de alguém tão exigente como o António o apreço é ainda maior.
Next step ... convencer os responsáveis pelas livrarias de que este livro/guia tem algo de novo sobre um tema muito em voga e que talvez merecesse uma maior exposição em loja, por isso mesmo.

P.S. a propósito: amanhã o livro será lançado oficialmente. O evento terá lugar às 18.30h na belíssima livraria, Ler Devagar, na Lx Factory , em Lisboa (Alcântara). O António, bem como todos os leitores, estão desde já convidados
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De António Moura a 18.11.2011 às 07:51

Miguel, penso que é fundamental convencer vários dos donos dos restaurantes citados no livro, a terem este guia à venda (ou pelo menos exposto) nos seus estabelecimentos.

Deveria haver um autocolante para ser distribuido pelos restaurante, para indicar que é citado no Guia "Lisboa à Mesa"

Penso que através dos restaurantes, será quase a única forma de assegurar o sucesso (merecido) do livro.
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De Miguel Pires a 18.11.2011 às 09:41

António

Sugeri à editora um circuito alternativo complementar ao das livrarias. Informaram-me que essa situação não está colocada de parte, mas que não é fácil por questões de logística e de cobrança (o canal de vendas está habituado a trabalhar com 15 ou 20 players e não com 50 ou 60).

Eu escrevi o livro, sugeri algumas acções de promoção (já que trabalhei nessa área), mas não me meto no negócio, nem vendo livros - aliás a maior parte dos responsáveis pelos locais que entram no guia não sabem que lá estão. E quase todos os que sabem só tomaram conhecimento quando o mesmo estava para impressão, ou, agora, quando saiu (E alguns nem sequer irão gostar do que escrevi).

Está previsto para breve que todos os locais (espero) recebam uma carta e um desses autocolantes a dizer que fazem parte do mesmo ("Recomendado") e, também, "Favorito" - nos casos que se apliquem.

Também é provável que nessa carta a editora sugira a compra do livro (o que é diferente de sugerir que paguem para entrar nele :)
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De António Moura a 15.11.2011 às 22:27

Miguel,
Para mim, com este livro,
nasceu um crítico com "C "grande.
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De Miguel Pires a 18.11.2011 às 02:32

(hum... o pudor impede-me de responder. Mas registo:)
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De Margarida a 16.11.2011 às 12:32

Muitos parabéns pelo livro, Miguel.

Ainda não o folheei mas, pelo que se vai lendo/vendo aqui e ali, dá para perceber que está muito interessante.
Vou comprar!
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De Miguel Pires a 18.11.2011 às 02:23

Obrigado, Margarida. Pelo menos as reacções têm sido óptimas (e nem todas vêm de familiares e amigos :)
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De Thamy a 17.11.2011 às 11:38

Parabéns Miguel, agora terei que passar mais tempo em Lisboa, pois se escolhes 50 sítios como os mais mais ... preciso de mais mais dias...
E quando vens fazer sobre SP?
"A gastronomia de SP por um olhar estrangeiro"
Vem!
Bj Thamy
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De Miguel Pires a 18.11.2011 às 02:31

Thamy

A intenção é também trazer gente boa do Brasil a passar mais mais dias em Lisboa :)

Quanto a um guia de SP , adoro a ideia. Arranja uma editora que financie o projecto e eu mudo-me para aí 6 meses.

P.S. Dizem que praia de paulista é restaurante e boteco . Ora sabes como eu adoro praia :)

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De Ana Vidal a 22.11.2011 às 09:34

Parabéns, Miguel. É um guia utilíssimo, não só pelos restaurantes, como também - e sobretudo, diria, porque é uma lista que não se encontra facilmente - pelos locais de venda associados à gastronomia. Falhei o lançamento, mas vou comprar.
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De Miguel Pires a 23.11.2011 às 02:05

Obrigado, Ana Vidigal.
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De Ana Vidal a 23.11.2011 às 02:12

De nada, Miguel Peres.
:-)
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De Miguel Pires a 23.11.2011 às 02:17

Ooops... Ana Vidigal é outra pessoa - uma grande artista, por sinal :)
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De Ana Vidal a 23.11.2011 às 02:19

É verdade.

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Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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