Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

Posso estar a ser injusta, mas não me lembro de alguma vez ter ido a um restaurante e ter visto na carta uma sobremesa criada especificamente para diabéticos. Uma sobremesa que pudesse ser consumida por estes sem problemas para a saúde e para a consciência.

Tendo em conta que 6,4% da população adulta do mundo sofre de diabetes, dá que pensar… Como é que a restauração pode “esquecer-se” de 6,4%  da população?

 

Isto acaba por se estender de certa forma à indústria, se bem que aí as coisas sejam já diferentes nalgumas áreas. Mas só nalgumas… É incrível como grande parte das maiores marcas de chocolate ou gelados não tem esses produtos para diabéticos!

 

E falo dos diabéticos, porque é uma doença muito comum. Quem é que não tem amigos ou familiares que sofrem de diabetes? Quase todos temos… Mas há os doentes celíacos, os que têm intolerância à lactose, os que sofrem de outras intolerâncias ou alergias alimentares. Não há nada específico para eles. Por vezes a vida pode ser quase impossível... Por vezes nem precisa de haver coisas específicas, bastava apenas que no menu fossem identificados os pratos que podem comer (como nalguns, raros, casos já acontece).

 

Já agora, podemos estender isto a pessoas que por opção decidem, por exemplo, ser vegetarianos. A restauração em geral prefere ignorá-los… Ou preparar umas coisas, se pedirem... Não se justificaria que os pratos fossem tão pensados como os outros e que tivessem por onde optar?

 

Não é fácil lidar com tudo isto. E não há razão para a generalidade dos cozinheiros saber mais do que a população em geral, e todos sabemos muito pouco. Mas há formas de o fazer de uma forma séria, porque com a saúde das pessoas não se brinca. Há a quem recorrer se assim se desejar.

 

Esta época de crise não será um bom momento para a restauração começar a reflectir sobre formas de considerar uma percentagem muito grande da população que têm optado por ignorar? 

Leia ainda:

publicado às 21:34


17 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Filipe a 19.12.2011 às 17:26

Boa tarde. Faz algum tempo que me debruço sobre esta questão. Nas cartas de vinho que por vezes planifico, entendo como fundamental a inclusão da graduação alcoólica dos vinhos - quem trabalha na área sabe que existem clientes interessados em beber o precioso néctar mais pela graduação do que pela denominação de origem, a incluir o grau calórico por cada copo de vinho consumido, seria no meu entender uma medida salutar e de grande valor para a saúde nutricional dos clientes.

Nunca entrei numa pastelaria que tivesse um "menu" a especificar as calorias de cada alimento, de modo a que os clientes somando as calorias optassem pelo pequeno-almoço que fosse mais conveniente ao seu estilo de vida e necessidades. Sendo a refeição mais importante do dia só é compreensível tal lacuna: por distracção, por acharmos que assim é que está bem ou por estarmos atolados no passado.

Os nutricionistas serão no futuro parte integrante da composição de uma brigada de restaurante. Os motivos por si enumerados são uma realidade que não pode nem devem ser descurados.

A passividade dos restaurantes tem a haver com a filosofia que rege a criação do mesmo - localização, conceito e sofisticação pela marca arquitectónica de um consagrado arquitecto coadjuvado pelo Dj que marca o ritmo - projectam um ambiente tão sofisticado que se tornam locais irresistíveis para os consumidores ávidos de novidades.

Quais as filosofias que regem os criadores desses espaços? O que os move/eu na criação e execução de tamanha obra? A resposta a esta pergunta pode definir a essência de uma casa. Eu poderia fazer o mesmo discurso em relação aos restaurantes tradicionais, mas esses não foram feitos com investimentos de milhões nem o seu crescimento foi beneficiado pela crítica gastronómica como tem acontecido com os restaurantes mais recentes.

Os clientes consomem mais 33% de gordura no restaurante do que em casa, muitos clientes por motivos profissionais "são obrigados" a almoçar e a jantar em restaurantes, mesmo que indirectamente temos de assumir que também somos responsáveis pela saúde dos clientes.

Um desafio aos actuais e novos actores da restauração nacional passa pelo compreensão da realidade, agarrar a criatividade do cozinheiro e com um nutricionista tabelar a ementa com valores nutricionais será um óptimo serviço à sociedade eliminando a exclusão invisível que muitos diabéticos sentem actualmente. Não nos podemos esquecer que portugal é um país onde a socialização por norma acontece a mesa. Essa realidade a acontecer, quem não é diabético tambem poderia usufruir da informação prestada e deste modo, com os devidos cuidados poderá vir a ser menos um diabético em Portugal, o que será sempre gratificante para os restaurantes, em função da resposta dada aos desafios criados pela sociedade.

O meu pessimismo quanto as medidas a tomar assenta no facto de ver as discrepâncias existentes entre investimentos físico do espaço e o investimento aplicado na formação de quem serve a mesa, bem como da brigada em geral. quando se explica aos clientes que as águas do rio Sado têm quatro letras que classificam 4 tipos de água para a produção de ostras, os clientes estranham que determinado funcionário possa estar na posse de tal informação, o que não deixa de ser incongruente, porque, efectivamente se o funcionários trabalha com determinado alimento nada mais natural do que saber do que está a falar. Os novos espaços têm toda a possibilidade e potencial financeiro para a afirmação de um novo paradigma de mudança.

Comentar post



Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Pesquisar

  Pesquisar no Blog