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Este post pode parecer uma tentativa desesperada de atrair leitores de blogs de culinária como aqueles que nos estão a dar dez a zero na votação dos blogs do ano. Para esses tenho outro trunfo, que deixo para mais tarde: uma receita da Bimby.

 

Por agora deixo uma receita, quiçá, com potencial para ser exportada à boleia do novo desígnio de internacionalização de Portugal. Ainda não estou certo quanto ao nome. Se será "Default Salad" (o inglês ajuda a vender lá fora, não é?), ou se opto por algo em português que fique no ouvido (e os bifes se quiserem que traduzam). Por exemplo: "Salada FMIscas com elas com iogurte grego e cerveja Guinness". 

 

 

A coisa começou com umas iscas de vitela bio que comprei, aqui bem perto de casa, na Miosótis. Com elas vieram outras "elas", umas batatas novas (ou com ar disso), também biológicas. Como 400 gramas de iscas é muito fígado para o estômago de um homem só, deixei metade para o dia seguinte tal como umas rodelas de batata cozidas, cortadas grosseiramente, que sobraram. Então a receita começa assim:

 

Abra uma Guinness e dê dois goles. Depois prepare o molho de iogurte grego (a nacionalidade não é um pormenor: trata-se de um iogurte mais cremoso - ok e normalmente mais gordo) juntando azeite a gosto, salsa e meio dente de alho picado finamente (a ideia é que dê sabor mas que não tome conta de tudo). Espalhe o molho por cima das batatas cozidas (frias) e reserve.

 

Como as iscas eram de qualidade temperei-as apenas com sal marinho antes de as levar à grelha, onde as deixei marcadas para a vida de um lado e de outro. Quando o interior se aproximou dos 60ºC, sinal que o adquiriu um tom rosado, tirei-as do lume e deixei-as arrefecer. Dei mais dois golos na Guinness e cortei-as em tiras.

 

Entretanto espreitei no frigorífico para ver o que havia e encontrei alface carneirinha (canónigos) e endívias. Juntei-as num prato fundo, adicionei as batatas com molho de iogurte e, por cima, as tiras de iscas grelhadas e outra uma colherada de molho. Tinha um pão de millet com sementes de papoila que vi esfarelar-se bem, em virtude de já ter uns dias. Fritei ligeiramente esse farelo com um pouco de azeite até ganhar uma textura crocante, deixei arrefecer ligeiramente e deitei por cima. O resultado foi uma agradável e consistente salada com sabores frescos e envolventes e texturas contrastantes. 

 

(Nota os 60ºC foi mais ou menos coincidência. A sua alusão é só para dar um ar mais 'pro', ou a armar ao pingarelho, se quiserem. No fundo é uma forma de dizer: já que nunca teremos tantos votos como os blogues de receitas ao menos damos um ar de importantes :) 

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publicado às 08:05


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