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Paixão

por Rui Falcão, em 04.02.12

 

Paixão, paixão e mais paixão, esta é a palavra indispensável no léxico do vinho e da gastronomia, o substantivo mais reiterado, mencionado em cada intervenção, repetido até à exaustão cada vez que se conversa sobre o vinho, a gastronomia e os seus protagonistas, sejam eles o produtor, o enólogo, o viticultor, o chef ou o próprio autor da crónica, quando se refere ao seu amor pelo vinho e pela gastronomia.

A paixão é óptima e mais que desejável. A paixão move mundos e incendeia a alma, solta a imaginação, é poderosa e arrebatadora. Num mundo perfeito a paixão deveria estar patente em todas as actividades a que nos dedicamos, intelectuais ou práticas, pessoais ou académicas, na actividade profissional ou nos interesses que abraçamos nos tempos livres. Mais que um chavão gasto que mencionamos a todo o instante a paixão deveria ser uma convicção.

A paixão, porém, apesar de obrigatória, como em todos os cometimentos da vida, não é suficiente para sustentar um negócio. Os dois únicos mundos que se alimentam da paixão, por si só, e que em muitos casos não é mais que um subterfúgio para a palavra ego, são o vinho e a restauração, onde é raro encontrar uma postura séria na procura de conhecimento e onde palavras pesadas como trabalho, investigação ou suor costumam ficar esquecidas em prol da poesia da paixão platónica. Até porque a paixão costuma ser passageira, entendida como um sentimento doloroso e patológico, capaz de nos fazer perder a identidade e o poder de raciocício.

Paixão, sim, é um sentimento indispensável e, felizmente, costuma estar presente de forma eloquente no vinho e na comida… mas não é, de todo, suficiente. Desengane-se quem pensa que a paixão é tudo e que o trabalho e o conhecimento são simples acessórios a acrescentar à contínua evocação da palavra paixão.

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publicado às 08:34


1 comentário

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De fernando oliveira a 04.02.2012 às 10:44

Quem escreve assim tem que ter paixão pelo que faz!!!
Parabéns.
Quando se vê as quebras nas vendas de vinhos de muitos produtores...
Restaurantes cada vez mais vazios e com menos receita por cliente devido ao IVA....
Cobranças cada vez mais atrasadas e difíceis (impossíveis em alguns casos)
Pessoal sem motivação para trabalhar (não admira com salários em atraso)
Que perspectivas de futuro. Se não for por paixão?????
Trabalho falta muito, sem dúvida, mas o futuro é exportar (os vinhos) e emigrar (pessoal)

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