Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Depois da pesca no 31 de Janeiro

por Miguel Pires, em 10.03.12

 

Uma das coisa que me agrada em ir pescar ao Mercado 31 de Janeiro, no Saldanha, é que não é necessário anzol ou isco. Os peixes da Açucena mordem facilmente. Basta uns euros ou um cartão MB. Depois, bom, depois é só chegar a casa e tentar não estragar.

 

O salmonete vinha inteiro, que há que treinar a técnica do fileteado (que em Buenos Aires quer dizer outra coisa). O naco de pele que falta no espécime da foto ficou na frigideira (ou sautée, que é mais chique), mas isso são detalhes. 

 

Então foi mais ou menos assim: limpei o bicho (o tal salmonete de Sesimbra - que vai da costa de Sines à de Peniche :), tirei-lhe a nhana e salvaguardei o fígado (e as ovas, embora não saiba muito bem o que fazer com elas, ou se devo mesmo fazer alguma coisa elas). Da espinha fiz um caldo (com cenoura, cebola e aipo) e reservei. Num tacho levei as castanholas ao lume por pouco temo (até abrirem). Tirei-as mas deixei o liquido que largaram. Nele (com pouco de cebola e cenoura) cozi umas favinhas - mas só o 'filet mignon', ou seja: depois de as retirar da vagem e da casca - durante 5 minutos. Nos ultimos 2 minutos juntei um mini mini alho francês que trouxe da banca da Maria de Fátima (página 121 do meu guia 'Lisboa à Mesa), donde vieram também as favas. Noutro tacho cozi quinoa, o fantástico falso cereal dos incas, em dois terços do caldo de peixe. O outro terço serviu para juntar aos fígados que esmaguei, mas não triturei, nem passei por um chinês fino, porque cá em casa, às vezes, a coisa quer-se fina mas não tanto. O lay out, ou a disposição dos elementos no prato, não é o meu forte, ainda assim fui colocando as coisas num prato comprido tentando que tivesse alguma lógica e o minimo de primor estético. Modéstia à parte já vi pior (e já comi bem pior). A acompanhar, e ainda sobre o seu vago efeito, fui ao frigorifico e encontrei um Monte das Servas Escolha, branco, 2010, um lote de verdelho, antão vaz e arinto que combinou muito bem -  e olhem que normalmente considero os vinhos da Herdade das Servas, de Estremoz, um pouco excessivos (na fruta, na madeira e no álcoól). Pronto...e assim aconteceu. 

 

 
castanholas (se não é daqui que vem o termo 'porn food' então não sei de onde virá)

Leia ainda:

publicado às 15:57


1 comentário

Sem imagem de perfil

De valter costa a 10.03.2012 às 21:52

Um dia gostava de saber de onde é que vem tanto salmonete. Ou é de Setúbal ou de Sesimbra. E do Senegal não vem nenhum?

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Pesquisar

  Pesquisar no Blog