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Rating AA+ (Aduriz e Avillez) no Peixe em Lisboa

por Miguel Pires, em 17.04.12

A crer pela apresentação que fez, na passada sexta-feira, 13, no auditório do Peixe em Lisboa, é pouco provável que a Andoni Luis Aduriz seja supersticioso. O chef basco, cujo seu restaurante, o Mugaritz, foi considerado o 3º melhor do mundo pela famosa lista dos "The World's 50 best restaurants ", não fez uma apresentação brilhante, como outros cabeças de cartaz em anos anteriores (estou a lembrar-me dos irmãos Roca ou de Alex Atala), mas esteve a muito bom nível, como seria de esperar de alguém que é apontado como um inspirador. Na apresentação de Aduriz não se viu muito de confecção de pratos (nem ao vivo , nem no filme de suporte). Falou-se de conceitos - como a insipidez, uma característica presente na sua cozinha (ligada, sobretudo, às texturas); de técnicas e tecnologia, como as altas pressões que permitem, por exemplo, extrair interior completo de uma lagosta sem ser cozinhada; e da ligação da sua cozinha a outras artes, como a música.

Falou-se ainda de produtores e da sua importância no resultado final de um prato. Recorrendo ao suporte de video Aduriz mostrou alguns dos seus fornecedores locais: uma produtora de gansos, um produtor de legumes e um pescador de ouriços do mar. Trata-se de uma tendência actual, uma espécie de tributo dos chefs - ou uma espécie de transferência de parte da sua celebridade mediática - para quem semeia, planta, cria ou recolhe os diversas produtos fundamentais para a excelência das suas propostas. 

 

No dia seguinte foi a vez de José Avillez, um grande adepto de Andoni Aduriz, se apresentar no auditório - com o Chef basco presente na plateia. Depois de em anos anteriores ter apostado em apresentações mais conceptuais e com uma certa produção, este ano Avillez voltou ao 'back to basics' e esteve muito bem. Centrou-se no Belcanto e no que ele a a sua equipa estão a desenvolver. Começou por distribuir pela sala um dos 'amuse bouche' que habitualmente serve no restaurante. Depois apresentou o espaço num breve video e falou da inspiração por trás da criação de alguns dos pratos da próxima carta de Verão do Belcanto, enquanto a sua equipa os ia confeccionando. Cada criação tem uma história, uma memória, um local (como deveria acontecer sempre) que  pode ser o Cabo da Roca, uma praia, um pinhal.

Depois de o ouvir falar dessas inspirações e de o ver compor o prato, prova-se (sim, confesso, consegui provar tudo no final) e está lá tudo: os sabores, os aromas e as texturas do que descreveu e é inevitável, mesmo para quem não tem essas referências, sentir-se levado para esses locais.

 

Nem toda a gente tem de se sentir tocado pela sensibilidade destas criações e de seus autores. Mas é preciso querer ser muito cego para não ver porque é que figuras como Andoni Aduriz ou José Avillez (mesmo com alguma distância de estrelato a separá-los) cativam tantos adeptos. 

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publicado às 11:00


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