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O júri em acção na prova de conservas (foto: Fabrice Demoulin)
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Há que divididir as latas por categorias, numerá-las e camuflar as que têm a marca impressa na lata. É necessário ainda imprimir as fichas de prova e o esquema programático da sessão. No papel tudo funciona bem, no terreno...também. Mesmo que a impressora seja tão meticulosa e perfeccionista que demore 10 minutos a imprimir cada página;  que a pessoa que está na cozinha não é o ajudante que esperava mas sim o chefe de um tal de Mugaritz - e que se calhar era chato pedir-lhe que me ajude a abrir umas 50 latas; que ao passar de um Mac para um PC um ficheiro de excel tenha perdido os links que permitiria obter os resultados do júri rapidamente; ou que o responsável pela prova (eu) tivesse chegado duas horas antes e não uma, conforme estava previsto. Valeu o apoio da Raquel, a chefe de operações da Essência do Vinho - que eu julgava mais acelerada do que o Hans Neuner depois de cinco cafés, mas que consegue manter a calma mesmo nos momentos mais criticos -, da Rosa e do Teotónio que foram fundamentais na logística e, por último, do André Magalhães que fez uma óptima demonstração de como acrescentar valor a uma conserva no prato. Ainda assim houve uma ou outra falha no apuramento dos resultados cuja versão corrigida, apresento abaixo.
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A prova fez parte do programa do Peixe em Lisboa e decorreu na passada sexta-feira, 13 Abril, no auditório principal. Pretendia-se eleger as melhores conservas de sardinha e de cavala portuguesas e ainda uma outra conserva de uma terceira categoria com variadas amostras. Em termos gerais, e no seguimento do que fizemos no ano passado, tínhamos como objectivo  ajudar a valorizar um produto cuja a imagem e o consumo tem vindo a aumentar mas que ainda continua a ser visto por muitos como algo menor. 
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O Juri - composto por profissionais qualificados (ainda que não provadores especializados em conservas) - começou por provar as dez amostras de sardinha inteira em azeite e classificá-las  de 1 a 5 de acordo com o aspecto (20%), aroma (15%), sabor (40%) e textura (25%). Depois fez o mesmo com os filetes de cavala em azeite e, numa terceira rodada - que intitulámos de "Prova Especial" -, com outros tipos de conservas. Todos latas foram compradas em lojas de Lisboa, com excepção das Pinhais que foram adquiridas na loja da fábrica, em Matosinhos, e das Campos e Santos que foram oferecidas por um dos expositores do Peixe em Lisboa.  
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Como poderá ser visto nos quadros abaixo, Minerva, Vasco da Gama e Correctora foram as vencedoras nas suas categorias.
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Produto: Sardinha em Azeite      
         
Rank Marca Total   Média Total
Minerva 16,90   3,38
Tricana 16,70   3,34
Luças 16,40   3,28
Campos e Santos 15,45   3,09
Pinhais 15,20   3,04
Ramirez 15,05   3,01
Jose Gourmet 14,05   2,81
Vasco da Gama 13,90   2,78
La Gôndola 13,50   2,70
10º Cocagne 12,50   2,50
         

 

       
Produto: Filetes de Cavalas em Azeite      
         
Rank Marca Total   Média Total
Vasco da Gama 16,80   3,36
Minerva 16,30   3,26
Jose Gourmet 16,25   3,25
Cocagne 15,55   3,11
Pinhais 15,05   3,01
Tricana 13,65   2,73
Comur 12,40   2,48
         
         
Prova Especial      
         
Rank Marca Total   Média Total
Correctora – ventresca atum em azeite 17,90   3,58
Pitéu – Lulas recheadas 16,50   3,30
Comur – enguia fumada em Azeite 16,45   3,29
Tricana – Sardinhas com oregãos 14,90   2,98
Tricana – mexilhão fumado 13,40   2,68
La Gôndola – sardinhas em az c limão 12,15   2,43
Sta Catarina–filete atum c batata doce 11,00   2,20

Iguarias de Sesimbra – filete peixe espada preto em azeite 9,30   1,86
         
         
  Escala de Classificação:      
         
  1 - Mau; 2 - Sofrível; 3 - Bom      
  4 - Muito Bom; 5 - Excelente      

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Júri: Edgardo Pacheco (jornalista da Sábado), Luis Baena (chef de cozinha), Ricardo Morais (escanção do Bocca), José Avillez (chef de cozinha), Orlando Bonifácio (empresário - Pescaviva) 

 

Nas categorias de cima (sardinha e cavala) o três primeiros classificados obtiveram resultados próximos. Já na Prova Especial, a ventresca de atum da Correctora destacou-se das demais, alcançando mesmo a nota mais alta de todas as conservas em prova. Mais de metade das amostras de sardinha e cavala obtiveram notas positivas, enquanto na prova especial a oscilação de notas foi maior.

 

Ainda que o júri não tenha encontrado um grau de excelência em nenhuma das amostras que provou é de salientar a qualidade média positiva, sobretudo, se tivermos em conta que se tratam conservas com preços entre 1€ e 3€ (4€ para a ventresca).  Poderá fazer-se melhor?  certamente que sim. E haverá um público receptivo a pagar um preço superior, como acontece na vizinha Espanha?  Gostava de crer que sim.

 

Agradeço de novo a todos os que tiveram envolvidos nesta prova e a todos os que quiseram assistir. Espero continuar a ter lata para continuar a insistir nas nossas latas.  

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publicado às 12:12


23 comentários

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De Luís Camisão a 18.04.2012 às 22:03

"E haverá um público receptivo a pagar um preço superior, como acontece na vizinha Espanha? Gostava de crer que sim."
Infelizmente, Caro Miguel, vivemos uma crise pior do que a de 1924 ou mesmo de 1948/49. E porquê, podes tu perguntar...não existem condições para evoluir nesse sentido pois se reparas nos mercados, na evolução dos preços, percebes bem que a os mesmos não estão de acordo com as dificuldades que neste momento encontram as famílias, apreciadoras ou não de conservas. Uma simples lata de atum de marca branca, em um ano passou de 0,59 para 0,89, não tem qualidade mas aconchega barriga. Se pensarmos que as conservas eram um "escape" para a crise e para "encher" a despensa, agora começam a ser considerados um artigo de, não digo luxo, mas de um "é bom sei lá" sem conhecimento de causa. Quanto aos castelhanos, galegos, andaluzes, bascos, catalães, canários e outros...a história é outra. Eles pescam cá, vendem lá, ou exportam para os Lusos, Tugas , Viriatos , enfim para Portugal e o preço do gasóleo é diferente. Podemos pois nesta altura, fazer não sei quantos festivais de peixe, carne, legumes e afins que pouco feedback vai ter no português dito comum...esse apenas quer comida na mesa. É pá, se não quiseres publicar estás à vontade...abraço Luís Camisão
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De António Moura a 19.04.2012 às 13:59

Claro que haverá públicos dispostos a pagar preços superiores por qualidades superiores, apesar de todas as dificuldades que existem no País.
Além disso é fundamental apostar em produtos gourmet, porque são esses que podem servir para mais facilmente acrescentar valor à nossa produção e dessa forma, conquistar posição em mercados mais competitivos.
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De Miguel Pires a 20.04.2012 às 02:30

Eu concordo com o António quando diz que existem consumidores dispostos a pagar preços superiores por conservas de maior qualidade. A questão é se será viável fazê-lo, dado que não há uma verdadeira cultura gourmet ' em relação ao consumo destes produtos de top.
É comum encontrar conservas de sardinha em boas lojas no estrangeiro, pelo que devem ter uma certa imagem fora de portas. Contudo creio que se deve muito ao facto de não serem caras. Se elevarmos a fasquia de qualidade, será que lá fora valorizarão esse aspecto e continuarão a comprar? É que o made in Portugal' não é uma marca forte que um estrangeiro associe a qualidade top.

Luís Camisão: gosto de te ver por aqui! :)
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De António Moura a 20.04.2012 às 09:06

Miguel,
quando falo em elevar a qualidade, não basta elevar a qualidade do produto, tem que se elevar a qualidade da comunicação (comunicação em sentido lato: embalagem, provas, lojas gourmet, motivação de chefs, etc).

Este concurso de conservas no Peixe em Lisboa é um bom exemplo, de como se pode acrescentar valor e divulgar um produto alimentar, ao qual muitas vezes está associada uma imagem de “artigo barato”.
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De Artur Hermenegildo a 20.04.2012 às 12:18

As embalagens da "José Gourmet" são um excelente exemplo de packaging atraente para este produto. É preciso é que isso não faça esquecer a qualidade.
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De Miguel Pires a 23.04.2012 às 23:18

Completamente de acordo, Antonio
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De Miguel Pires a 23.04.2012 às 23:22

O trabalho da José Gourmet é exemplar em termos de packaging. No entanto considero o design vintage de uma boa parte das nossas conservas muito bom. Muito up to date
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De paulo mendes a 20.06.2012 às 10:26

Sr. Luis infelizmente tem toda a razao, existe uma campanha generalizada para o empobrecimento do paìs. os mercados realmente não acompanham as necessidades das pessoas, o governo nao dá condiçoes aos produtores de terem um preço que seja benefico para todos, produtores e consumidores. e depois quem ganha com isso é a espanha, que vem pescar nas nossas aguas, vem apanhar as nossas azeitonas, vem criar os porcos cá. depois levam para lá e vendem cá como produto espanhol ou iberico, mais barato e com isto quem perde é a nossa economia. os governos sabem isto tudo mas estão a borrifar para o assunto.

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