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A morte de Paul Bocuse e a choradeira geral

por Miguel Pires, em 21.01.18

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Paul Bocuse morreu este Sábado e não houve chefe ou outras personalidades ligadas à cozinha que não tivessem assinalado o momento nas redes sociais. Aliás, como acontece hoje em dia, quando morre um ídolo pop, a determinada altura parecia quase obrigatório reproduzir ou procurar uma foto à pressa na internet para não se ser excluido da sociedade. 

 

Não interessa se muitos que o fizeram conheçam pouco mais de Bocuse do que aquela imagem do cozinheiro a pousar para a câmara com um galo tatuado no braço, a efígie num prémio que muitos ambicionam ganhar, a imagem da sopa "V.G.E" tapada com massa folhada que nunca comeram e, claro, o facto de ter sido um dos chefes que esteve na origem da nouvelle cuisine.

 

Poderia estar para aqui a martelar caracteres para mostrar o meu conhecimento no assunto, mas na verdade, não tenho problemas em confessar que até ontem, tal como muitos que entraram na catarse, sabia pouco mais sobre ele do que aquilo que enumerei atrás. Ou melhor, até sabia, mas a verdade é que nunca tive Paul Bocuse como uma das minhas grandes referências. Sim, percebo a veneração que muitos profissionais de cozinha lhe dedicam. Afinal, ele é apontado como o chefe que mais contribuiu para tornar a profissão respeitável, como um dos que mais insistiu na presença do chefe na sala e é o precursor da figura do chefe celebridade e do chefe empresário.

 

Curiosamente, embora tenha feito parte do movimento que deu origem à nouvelle cuisine, Bocuse viria a demarcar-se chegando a referir-se a ele como uma anedota. Acontece que a nouvelle cuisine influenciou (e de que maneira) os movimentos que se lhe seguiram e alta cozinha como ela é hoje. E que seguidores ou pratos marcantes (ainda reproduzidos nos nossos dias) deixou Bocuse pelo mundo?

 

Desculpem lá destoar, mas... não sendo francês (como Emmanuel Macron, que disse num comunicado citado pelo Público: "os chefs choram nas suas cozinhas, no Eliseu e por toda a França.”), não sendo de Lyon, ou chefe de cozinha, respeito a figura, o que fez e o momento, mas não entro na choradeira geral.  Mas, pronto, hoje acordei assim. Já passa. 

 

 Foto: Laurent Cipriani / AP (retirada do Chicago Tribune)

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publicado às 09:36


6 comentários

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De Anónimo a 21.01.2018 às 11:35

Na verdade ninguém ficou realmente triste... a morte das figuras públicas servem mais como pretexto para se colocar um post no facebook e ser lembrado pelos "amigos". Triste ficamos quando morre um parente ou amigo. O resto é show-off
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De Adriano a 24.01.2018 às 13:46

Isso da valorização do triste. Do sofrimento, é um poucochinho católico. Pensas tu que não me faz falta beber copos com o Camões?

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