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Semanalmente, durante o mês de Maio, Rita Santos trouxe à sua loja/mercearia Comida Independente, em Lisboa, um produtor de vinhos e outro de alimentos para falarem do trabalho que fazem e do seu percurso - sempre com degustações pelo meio, claro.

 

Cada um destes quatro encontros esgotou rapidamente e não é difícil entender a razão: em primeiro lugar, porque a Rita sabe criar uma empatia com um grupo de clientes que valorizam o seu trabalho e curadoria na escolha dos “grandes produtos de pequenos produtores” (como lhes chama), que tem na loja. E, em segundo lugar, porque os produtores que escolheu, tinham quase sempre boas histórias para contar e bons produtos para apresentar (e degustar), como foi o caso, na passada quarta-feira, com o Adolfo Henriques, que há 40 anos faz um chèvre na Maçussa (Granja dos Moinhos) de fazer inveja aos melhores franceses, e Vítor Claro, o cozinheiro que virou produtor de vinhos contra a corrente (e que vê agora, ironicamente, a “corrente” a vir em direcção a ele).

 

 

Outra característica interessante no sucesso destes encontros tem a ver com o registo informal com que tudo decorre, associado a um preço muito justo (25€). Por exemplo, na quarta-feira, os clientes foram chegando pelas 19.30h, recebidos com um copo de espumante, e uns 15 minutos depois começou a apresentação. O Adolfo Henriques contou a sua história de vida que os leitores do Mesa Marcada conhecem do Menu de Interrogação, sempre com uma ou outra revelação nova, e o Vítor Claro (que também já passou pela nossa rúbrica) fez o mesmo - um “mesmo” que nunca é igual, ou não fosse cada vindima ou cada decisão de fazer vinho, aqui e ali, uma aventura cheia de peripécias, que é partilhada com Rita Ferreira, a sua companheira de negócio e de vida. 

 

Todo este “blah blah” é feito de copo na mão, porque é também para mostrar os produtos que servem estes encontros. Neste caso, eu que sou adepto dos vinhos do Claro, deliciei-me, sobretudo, com as novas colheitas dos brancos de Portalegre Dominó - Monte Pratas (que grande branco!), do leve, digestivo e muito “glu glu” tinto Pulso (um “Colares” fora do baralho que sairá para o mercado muito brevemente sob o selo Nat’Cool, dos Projectos Niepoort) e ainda do alentejano tinto Vide, também ele um tinto pouco extraído, muito agradável e mais de beber do que de contemplar. A determinada altura da conversa, a Rita Santos interrompe, a toque de sino, e os presentes espalham-se pela loja, enquanto a Inês e o Olavo finalizam e servem alguns snacks.

 

No caso do encontro com o Adolfo Henriques, além dos seus chèvre e “camembert” (uma novidade que faz igualmente com leite de cabra”) para serem degustados puros ou só com pão (que é também dele e está à venda na loja) houve ainda uns snacks preparados pelo Olavo  (cozinheiro, ex-sommelier do Leopold e que agora trabalha aqui), entre os quais destaco o nada doce bombom de chocolate  com recheio de queijo e de mosto de vinho. Nos últimos tempos tem havido, no final, uma mini feijoada (era de cabrito, está última), para dar maior aconchego a um encontro, que nunca foi para ser um jantar, mas que acaba por funcionar como tal.

 

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Adolfo Henriques escuta Vítor Claro contar uma das suas peripécias "então eu apanhei um peixe deste tamanho" 

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Inês Ruivo, colaboradora da loja a servindo o camembert panado do Adolfo

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Dominó Monte Pratas, um senhor  vinho (que merecia uma melhor foto, eu sei) 

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O Adolfo trouxe da Maçussa vários queijos em diversos estágios. O primeiro, à direita, (em forma de rolo) é o chèvre pouco tempo depois de ser prensado à mão na forma de metal (ao lado da garrafa). O preto, é o mesmo queijo coberto de cinza e o outro escuro, já meio esbranquicado, é o mesmo depois de inoculado com os fungos que vão formar a capa que é típica destes queijos e que é o único ingrediente que tem de ser importado de França. 

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 Este foi o alinhamento do encontro dos produtores no mês de Maio

 

 

Face ao sucesso, a Rita Dias diz que vai continuar com estes encontros ao final da tarde já em Junho, mas só após as festas de Lisboa. Os convites aos produtores já começaram a ser feitos, mas ainda faltam algumas confirmações para poderem ser noticiados. Parece que haverá uma maior preponderância de homens e mulheres com pronúncia do Norte.

 

Enquanto as novas datas não chegam não deixarem de visitar esta loja/mercearia muito especial, em Santos (R. Cais do Tojo 28, Lisboa), que desde Abril passou a abrir igualmente aos domingos. 

 

Texto e fotos de Miguel Pires

 

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publicado às 12:04


1 comentário

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De Anónimo a 02.06.2018 às 23:48

fiquei impressionado com as historias do Adolfo Henriques e como a asae conseguiu controlar a paixão da produção pura. noite perfeita. com os vinhos do vitor. excelente texto

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