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Arigato, Mio e Ricardo Komori

por Miguel Pires, em 07.07.15

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Por vezes a ânsia pela novidade leva a que muitos se esqueçam de restaurantes menos falados mas que fazem um trabalho meritório. Um desses lugares é o Bonsai, no Príncipe Real, em Lisboa, onde tenho comido regularmente e incrivelmente bem (como em tempos aqui já tinha relatado, aliás).

 

 

Acontece que na semana passada tive uma triste noticia: o Ricardo Komori e a Mio (a sua simpática mulher e responsável pela sala) vão entregar o restaurante ao senhorio e partir para o Japão, pelo menos por um ano. "Quero aprofundar os meu conhecimentos e para isso é importante passar as 4 estações do ano lá", disse-me o Ricardo no dia em que me falou que estavam de partida.

 

Komori, um dos profissionais mais obstinados e dedicados que conheci nos últimos tempos (não fosse as suas feições ocidentais diria mesmo que era japonês), é sushi man há 15 anos e antes de vir para o Bonsai passou por restaurantes como o Assuka, o Midori, o Casino de Lisboa, Sushi das Amoreiras e Bica do Sapato (não necessariamente por esta ordem) além ter efectuado alguns estágios no Japão.

 

A sua carta do Bonsai tem todos "ingredientes" clássicos de um bom restaurante japonês (sushi, sashimi, tempura, etc). Contudo, quase sempre ignoro o cardápio e sigo os pratos do dia, escritos em folhas de papel  afixadas num quadro de cortiça. O difícil mesmo é decidir o que pedir porque escolher significa excluir e, neste caso, a tarefa é mesmo árdua porque tudo está entre o bom e o incrivelmente bom: da aba de peixe, aos 'croquetes' de edamame (feijões de soja), do ceviche oriental ao carpaccio de lírio (sim, com nomes ocidentais para facilitar a comunicação), do ramen (que nesta altura não faz) às ostras com molho de ponzu, já para não falar do pudim de natas e ovos com caramelo liquido em que me viciei (e cuja receita me prometeram). Como se não bastasse os preços são ridículos para o que se recebe em troca: entre os 20€ e os 40€ com cerveja (neste último caso, apenas quando quero sair a rebolar).

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ostras em molho de ponzu

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"carpaccio" de lirio

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croquetes de edamame

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chicharro (carapau) dos Açores com daikon

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"ceviche" de peixe variado com tofu

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pudim de natas e ovos com caramelo

 

Devia ser egoísta, finalizar com um obrigado ao casal (e à sua equipa) e continuar a aparecer por lá até ao fim do mês sem causar grandes ondas. Mas não. Assim deixo o aviso: caros leitores, a Mio e o Ricardo vão estar no Bonsai até ao final de Julho. Por isso façam um favor a vocês mesmos: encham-lhes a casa. Os clientes habituais vão odiar-vos, mas eles merecem. E depois não digam que não avisei.

 

emenda: Parece que o wasabi tem caracteristicas alucinogénicas em mim, ao ponto de de ver num quadro de cortiça com folhas de papel manuscritas, uma ardósia com escritos a giz. 

 

Fotos: Luciana Trajano e Miguel Pires

 

 

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publicado às 23:25


8 comentários

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De teixeira a 16.07.2015 às 23:14

Agradeço a Lis e ao Paulo Rodrigues os esclarecimentos sobre o Lírio Confesso que não conhecia o peixe, apesar de tantos anos em Lisboa. Apenas, lamento que o Miguel, que provou o prato, penso, não tenha dado atenção a um pedido de esclarecimento tão banal. Falta de tempo, com certeza.
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De Miguel Pires a 17.07.2015 às 01:51

Nunca sei quando é uma provocação pouco merecedora de resposta. Contudo, de facto, esta passou-me ao lado mas ainda bem que houve quem esclarecesse a dúvida.

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