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A noticia do chefe que “devolve” a(s) sua(s) estrela(s) Michelin - bem como o chorinho e as palmadinhas nas costas posteriores - não é nova, a novidade, desta vez,  foi ter sido um chefe em Portugal, Henrique Leis, a dizer que o vai fazer.

 

Cada vez que tal acontece alguém do guia vermelho lá vem explicar que não há entrega nenhuma, há apenas um desejo, uma intenção, como chefes bem sabem - vejam-se os casos recentes de Sébastian Bras, ou de Marc Veyrat, que o pretenderam fazer, mas sem sucesso. É que não se trata de um concurso em que o restaurante se inscreve para vir nele. Como os responsáveis do guia já afirmaram dezenas de vezes, quem atribui e retira estrelas são eles, que visitam anonimamente os restaurantes - ainda que por vezes sejam pouco discretos e todos fiquem a saber que andam por aí - e pagam as contas. 

 

 

Mas isso não interessa nada, porque as noticias continuam a sair com os mesmos títulos, por ignorância, ou para vender mais (na era do digital, leia-se render mais clicks). Mas que importância é que isso tem? Afinal é gastronomia e não uma área nobre do jornalismo como a política, a economia ou a cultura. 

 

Porém, tal como aconteceu em todos os exemplos lá fora, também cá, já depois da noticia se tornar viral, lá aparece alguém com maior lucidez que vai ouvir (infelizmente sem o mesmo impacto) quem de direito, um responsável do Guia Michelin Portugal e Espanha, como foi o caso da Alexandra Prado Coelho (e antes o Fernando Brandão do BCBM). A noticia da qual retiro o bem elucidativo parágrafo (abaixo)  pode ser lida aqui

 

Mas Ángel Pardo Castro explicou à Fugas que “a decisão já está tomada porque o guia [a próxima edição sairá em Novembro], com a decisão dos inspectores, já está quase 100% fechado”. O que quer frisar é que essa decisão – que não pode revelar antecipadamente – prende-se exclusivamente com a avaliação que foi feita, na sequência de várias visitas, pelos inspectores e não é de forma alguma influenciada pela carta enviada a 12 de Junho por Henrique Leis para o Guia – e que, confessa o responsável pela comunicação, foi recebida “com surpresa”.

 

Enfim... intencionalmente ou não, a verdade é que um restaurante de que raramente se ouvia  falar, acaba por por andar neste momento nas bocas do mundo. 

 

 

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publicado às 21:50


10 comentários

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De Anónimo a 27.07.2019 às 08:53

Propaganda, pura propaganda. Com esta tirada eu e muita mais gente ficou a saber que a taska existe e tem uma Michelin. Claro que para mim é indiferente, não vou fazer um crédito para ir lá almoçar, mas para muitos acéfalos vai ser uma correria para ir lá gastar o que não tem tirar umas fotos para fazer inveja aos amigos e depois ir para casa comer uma sopa porque afinal pagaram muito e saíram cheios de fome.

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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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