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Está em soft opening*, embora não pareça, a ver pela casa cheia com que me deparei esta quinta-feira. O espaço é bonito, ainda que um pouco apertado para os preços praticados (devia haver maior distância entre mesas): bar à entrada, cozinha no meio, sala seguida de uma esplanada ao fundo com tecto retráctil, o que permitirá o uso no Inverno com a ajuda dos aquecedores que foram instalados.  

 

 

Mas o mais relevante que pude constatar é que a cozinha do Diogo Noronha está muito bem: superior e mais madura em relação à que fazia nos tempos do Pedro e o Lobo e mais nobre e consistente do que apresentada antes na Casa de Pasto e no Rio Maravilha. Noronha optou por trabalhar com uma carta relativamente curta mas apelativa, se o desejo não for de carne, claro, dado que aqui o produto do mar é rei, como o nome deixava adivinhar (ainda que os vegetais desempenham um papel importante, também). 

 

Gostei muito do que comi e do que bebi: das entradas, uma couve flor assada de estalo e um tártaro de lulas muito elegante - ainda que torça o nariz a que lhe chame “tártaro”. Dos pratos principais, destaco o delicioso e outonal pregado na brasa, cogumelos silvestres (cantarelos), patissons, batata nova (com um suave geleia de mostarda por cima) e um jus de carne delicado - ainda que o pargo braseado (um senhor pargo, diga-se) com puré de tupinambor, laranja, espinafres selvagens, sésamo e emulsão de alho negro, não lhe tenha ficado muito atrás.  

 

Também ainda não foi desta que o chefe pasteleiro Claiton Ferreira me desiludiu. Que bela e equilibrada marmelada de maçã com gelado de iogurte. Ah! E os cocktails do Fernão Gonçalves Gonçalves prometem. A sua versão do negroni é um espectáculo! Também outro habitué nas últimas equipas de Noronha está com ele no Pesca. Refiro-me a Vagner Costa, o chefe de sala, talvez o que tem mais trabalho de afinação da equipa pela frente. Quanto a preços...hum... algo salgados. It’s The Principe Real, stupid!

 

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couve-flor na brasa creme de avelãs, puré de limão, ervilha de quebrar e carvão vegetal

 

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tártaro de lula gema de ovo em picle, maçã Granny Smith, aipo rama e aneto

 

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pregado na brasa, cogumelos silvestres, batata nova, geleia de sementes de mostarda, patissons, óleo de argan e azedas limão

 

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pargo legítimo braseado, puré de tupinambor, laranja, espinafres selvagens, sésamo e emulsão de alho negro

 

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marmelada de maçã gelado de iogurte de ovelha, pétalas caramelizadas e flor de sabugueiro 

 

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negroni salgado envelhecido com funcho gin plymouth, tequila excellia, vermouth la quintinye rouge e campari

 

 

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publicado às 02:00


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