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Diogo Noronha deixa Casa de Pasto e Rio Maravilha

por Duarte Calvão, em 04.10.16

O chefe Diogo Noronha desligou-se do grupo Mainside, no qual esteve nos últimos três anos, abrindo restaurantes como a Casa de Pasto, no Cais Sodré, e Rio Maravilha, na Lx Factory. Aos 37 anos, o chefe prepara-se para iniciar em breve um novo projecto também em Lisboa. “Estes três anos foram importantes para mim, mas surgiu uma oportunidade muito interessante e achei que devia aproveitar”, explicou Diogo Noronha ao Mesa Marcada.

Sem querer adiantar ainda pormenores, o chefe diz que no seu novo restaurante vai “trabalhar mais na linha em que estava antes”, quando chegou a Lisboa em 2009 para abrir o antigo Pedro e o Lobo, vindo de experiências em restaurantes como o Per Se (Thomas Keller), em Nova Iorque, ou Moo (irmãos Roca) e Alkimia (Jordi Vilà), na Catalunha. Ou seja, tudo indica que teremos mais um chefe português com um novo projecto em que pode expressar melhor o seu estilo e talento. A cozinha criativa está a viver um claro momento de viragem em Portugal.

 

Foto: Cook & Chef Institute

 

 

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publicado às 22:30


4 comentários

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De Carlos Alexandre a 06.10.2016 às 13:39

Neste post, fiquei a saber de mais uma alteração na vida profissional do Diogo Noronha.

Mas não entendo porque é que o Duarte remata com a afirmação
"A cozinha criativa está a viver um claro momento de viragem em Portugal."

Consegue esclarecer a ligação entre os dois fatos?
É que, para mim pelo menos, não é nada óbvia.

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De Duarte Calvão a 06.10.2016 às 14:15

Julgo que é relativamente fácil de entender. Diogo Noronha afirma que, no novo projecto, vai praticar uma cozinha mais de acordo com o que estava a fazer quando regressou a Portugal, no Pedro e o Lobo. Ou seja, numa linha mais criativa do que aquela que estava a fazer na Casa de Pasto, um óptimo restaurante, que costumo frequentar, mas que está menos nessa linha. Logo, creio que teremos mais um chefe português a fazer uma cozinha mais de acordo com as suas capacidades, juntando-se a outros nomes, entre os quais aqueles que citei no post que escrevi há uns tempos sobre o fim do ciclo dos petiscos. Aliás, muito em breve será bem claro para todos que os anos de 2015 e 2016 foram extremamente positivos para quem defende que a cozinha em Portugal tenha também um lado mais criativo, tal como acontece em muitos outros países europeus.
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De Carlos Alexandre a 06.10.2016 às 20:05

Agradeço a pronta resposta, Duarte Calvão.

Constato que, afinal o equívoco tem tão somente a ver com o conceito da cozinha criativa.
É que jamais colocaria as duas visitas que fiz ao Pedro e o lobo como representativas de uma cozinha criativa, mesmo que incipiente. Cozinha de pratos decorativos, com algum arriscar de combinações menos prováveis; seguimento de algumas tendências já, na altura, em desuso... tudo menos cozinha criativa.

Claro que é preciso começar por alguma coisa. Mas é preciso muito boa vontade para ver neste passado augúrio de bons auspícios na área da cozinha criativa.

Claro que o período pós-Pedro e o lobo, em locais com alguma consagração, será certamente determinante para espectativas a outro nível. Mas, para isso, terão de ser dadas provas concretas deste salto que, no fundo, qualquer cozinheiro pretende dar. E querer não basta.

Bom senso terá tido o Duarte ao escrever
"numa linha mais criativa do que aquela que estava a fazer".
Sublinho o "mais", que poderá ser visto como um eufemismo da ideia de termos aqui um chef criativo já consagrado em tempos anteriores aos seus trabalhos atuais.

Foram estas algumas palavras que tentam esconder a possível estupidez que me assolou, talvez, quando não associei a viragem da cozinha criativa a este profissional.

Verdade seja dita, muito me têm surpreendido alguns jovens, com cozinhas de extremas restrições, meios mínimos, esforços máximos, a apresentar propostas que, sem me deslumbrar, me deixaram perplexo em relação a quem merece estar nas revistas.

Dito isto, quem me dera que viessem muitos mais como o Diogo, trazendo a irreverência- necessária à criatividade- para acabar com o marasmo da cozinha praticada pelos mesmos do costume, cavalaria de uma pseudo-criatividade que parece manifestar-se, qual aparição de Fátima, em qualquer prato bem decorado, preferencialmente de dose pornograficamente diminuta.






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De Miguel Torga a 07.10.2016 às 00:01

Não me sinto um destruidor; o que quero é que tudo nasça com a força que as cousas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague o azeite novo.

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