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Depois de um inicio promissor ele andou mansinho aproveitando, pelo meio, para fazer um período sabático como director da Time Out. Finda essa missão voltou com as suas crónicas de verdadeiro gastrónomo 360º - leia-se: o gajo que gosta de tudo, tem predilecção pela “baixa” gastronomia, sobretudo a do Oriente, e não vai com elas – ainda que goste de iscas. “Ele” é o Ricardo Dias Felner, autor do blogue O Homem Que Comia Tudo.

 

 

E um comentador anónimo, perguntará: “portanto, ele deixava-te ganhar quando jogavam ténis na adolescência e elogiou-te, recentemente, num post, e tu agora retribuis, é isso? Que pouca vergonha!”. Não, quero dizer, também pode ser isso, mas na verdade a razão de ser deste texto deve-se à série de programas que o Ricardo começou a fazer e que levam o nome do seu blogue, e cujo primeiro episódio publicou esta semana no You Tube.

 

Como não é muito comum ver por aí uma produção “semi” caseira, bem feita, divertida, com uma boa narrativa (e bem narrada pelo próprio), interessante e didáctica (sem ser aborrecida ou pretensiosa), quis saber mais e por isso bati à porta do seu Facebook e ficámos à conversa.

 

O_Homem_Que_Comia.jpg

 

Aqui vai a entrevista, sem filtros nem edição:

 

 

És um grande cromo, Felner. A partir de agora isto é uma espécie de entrevista e tudo o que disseres pode ser usado a favor de ti. Ou contra... Como surgiu esta ideia de fazer estes vídeos de O Homem que Comia de tudo?

 

Eh pá, só falo na presença do meu assessor. Não, estou a brincar. Há muito tempo que ando a pensar nisto. Fazem falta pequenos filmes sobre histórias de comida, em Portugal. Depois falei com o Francisco Correia, do Canal Q, e descobri que andávamos os dois a ver os mesmos filmes no Youtube e na Internet, coisas mais ou menos bem-feitas, do Munchies aos Netflixes.

 

Entretanto um amigo, que estava para começar um projecto, falou-me na possibilidade de ter um canal de vídeo do blogue d'O Homem que Comia Tudo e nós começámos a ter ideias e a filmar. Esse projecto ficou suspenso e então nós decidimos avançar, assim, meio à solta.

 

E vai passar também no Canal Q ou é só no teu blogue /You Tube?

 

Para já só no Youtube. Vamos ver o que acontece. A BBC é o limite :). Mas basicamente queremos entrar nas cozinhas, experimentar coisas fora do menu, fazer muitas provas cegas (mozzarella de búfala vs. de vaca está já agendado o embate...), desconstruir preconceitos.

 

 

Gostei muito. Do tema, da narrativa, do tom, da filmagem. “Infotainment”...

 

A ideia é essa! fixe que gostaste! Não ser light, nem enciclopédico, mostrar coisas novas.

 

Pelo tomate rústico bem vermelho este foi gravado no verão. Há mais?

 

repara que escolhemos o filet mignon para abrir. A partir de agora pode ser sempre a descer. Já Temos dois gravados e editados. Mas temos já vários episódios com guião.

 

 

Quero entrar nesse da mozzarella. Se não conseguir distinguir uma de bufala de uma de vaca (que em rigor não é mozzarella), pago-te um jantar

 

ahahahahah está combinado!!! vai treinando. Olha que há umas de uma marca de supermercado danadas

 

Como é que te lembraste desta cena da feniltiocarbamida, para o primeiro episódio?

 

Dá-me 10 min. Tenho de ir pôr o Francisco ao vólei. (10 minutos depois) Voltei. Já não sei onde li sobre a feniltiocarbamida, mas há muita coisa escrita sobre o assunto. E até há outros testes, uns mais rudimentares, em que pões uma anilha de papel na língua e pintas com corante. depois contas as papilas, se tiveres mais de X és um super-provador. Tentei fazer em casa mas usei um corante bio e, como acontece com algumas coisas bio, não funcionou.

 

O_Homem_Que_Comia1.jpg

 

E que outros temas serão focados nos próximos episódios?

  

Voltando aos temas, vamos fazer um filme sobre facas, os maluquinhos das facas, chefes (e não só) capazes de pagar umas centenas de euros para ter uma lâmina como deve de ser. Tu conheces alguns. Queremos fazer a batalha dos molhos picantes, incluindo a minha bomba caseira à base de pimentas Carolina Reaper. E vamos querer resgatar produtos fora do mercado, técnicas fora de moda. Não odiamos a indústria, mas somos pela variedade e somos pelo artesanato. Está nos nossos planos ir apanhar acelgas em Lisboa, urtigas, alecrim, gambas do rio... comer tudo, comer de tudo, basicamente. O próximo episódio é sobre o ramen do Ajitama Supper Club, um restaurante caseiro ou secreto, se quiseres apimentar a coisa. O António e o João fazem aquilo sem atalhos, com um cuidado de japonês. É bem bom.

 

E os episódios têm periodicidade?

 

A nossa ideia é publicar um por semana. Mas sem patrocínio, sem dinheiro, vai ser difícil manter essa regularidade. oxalá apareça alguém com a nota. para já, precisamos de uma máquina nova. Olá Canon, Nikon, Sony, Fuji, está aí alguém?

 

Queres deixar um contacto, caso alguém leia esta entrevista e queira patrocinar?
 

Boa! ricardofelner@gmail.com.

 

Ok. Então boa sorte com os próximos episódios. Ah! E quando fores apanhar acelgas por Lisboa, leva um teste para detectar xixi de cão :)

 

ahahah, bem sei, bem sei.

 

Pronto, e agora finalmente o video...

 

 

 

 

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publicado às 13:48


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Artur Hermenegildo a 07.02.2018 às 15:38

O Homem que Comia Tudo é dos poucos blogues gastronómicos que leio,e o único feito por alguém que não conheço pessoalmente.

Os outros, além deste, são os da Paulina e do Pedro Cruz Gomes.

Tenho "trocado uns cromos" com o Ricardo no FB e parece-me um gajo fixe.

Vou ver o canal dele no tubo logo que possa.
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De Artur Hermenegildo a 08.02.2018 às 16:22

Já vi o vídeo, está giro. Eu também devo falhar o teste, a julgar pela descrição.
Sem imagem de perfil

De Adriano a 08.02.2018 às 20:45

É um tipo de jogo interessante. Eu e a minha mulher descobrimos num jogo igual os 24 ingredientes de uma sobremesa. Não nos deve voltar a acontecer... Também não devemos ser super-provadores, mas experiência na cozinha e na confecção ajuda muito nisto das adivinhas. Até porque muito dos gostos são complexos e só perceptíveis em conjuntos. Quem já fez esses conjuntos sabe os dividir depois. Por exemplo, o sabor a caldeirada é o do pimento cebola e tomate suados. Não precisa ter peixe. Lembram-se de um salmonete com molho de caldeirada do Avillez? O molho era só isso e o gosto a caldeirada estava lá. Também recorrer à vista é importante. Tudo de olhos fechados é bem mais complexo eas vezes com resultados bem engraçados e muito fora da caixa.

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