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Estrelas Michelin Portugal 2018 (especulações)

por Duarte Calvão, em 20.11.17

Aqui estão elas, as habituais especulações em torno das estrelas que o guia Michelin vai anunciar para os restaurantes portugueses já na próxima quarta-feira à noite, desta vez em Tenerife, nas Canárias, onde será a Gala do Guia Michelin Espanha e Portugal 2018. Como o Miguel Pires relatou aqui, reportando para um encontro com a Comunicação Social espanhola que os responsáveis pelo guia tiveram, esquecendo-se de incluir portugueses, não se espera nada de parecido com a chuva de estrelas do ano passado e fala-se de uma “consolidação” em Portugal. Mesmo assim, vamos lá especular.

 

 

Para começar. não se esperam perdas de estrelas e ainda bem por que não gosto nada de ir por aí. Há um caso de mudança de chefe na Casa da Calçada, em Amarante, que ocorreu em Abril/Maio, ou seja, muito a tempo da visita dos inspectores ibéricos (agora parece que já têm uma portuguesa entre eles), que geralmente terminam lá para Agosto/Setembro.  Estive lá num almoço para a Comunicação Social e fiquei muito bem impressionado com os pratos de Tiago Bonito, que veio substituir André Silva, o qual tinha dado continuidade ao trabalho estrelado de Vítor Matos (hoje no Antiqvvm, no Porto, já com estrela) e seguiu para o Porta, em Bragança. É certo que Tiago Bonito não tinha estrelas nos locais onde esteve, mas não vejo que haja uma descida de qualidade. Pode ser que lhe retirem a estrela este ano, tal como tinha acontecido aquando da passagem de José Cordeiro para Ricardo Costa, se a memória não me atraiçoa, mas creio que se acontecer rapidamente a vai recuperar.

 

Quanto a novas estrelas, vamos começar pelo topo. Há muito que se especula sobre quem será o primeiro três estrelas de Portugal. Será este ano que ele surge? Há três candidatos já que tanto o The Yeatman como o Il Gallo D’Oro só  ano passado chegaram às duas estrelas e é muito cedo para subirem de categoria. Ou seja, restam o Vila Joya, o Ocean e o Belcanto. Qualquer um tem bons argumentos para chegar à terceira. O Vila Joya pela consistência ao longo dos anos do trabalho de Dieter Koschina, o Ocean e o Belcanto pela grande evolução que apresentam tanto Hans Neuner, como aqui relatei, quanto José Avillez, que está com novos pratos muito interessantes. A haver um favorito, a acreditar nos rumores, eu apostaria no Belcanto.

 

Nas duas estrelas, nada a dizer a não ser uma eventual chegada a este nível do Feitoria. Mas, pelo que me dizem, não é para ter grandes expectativas para o restaurante lisboeta. Oxalá estejam enganados, porque João Rodrigues tem cada vez mais consistência e maturidade. Noutros restaurantes que também poderão chegar às duas estrelas, como o São Gabriel, de Leonel Pereira, as expectativas são igualmente baixas.

 

Onde me parece que há mais hipóteses é na categoria uma estrela, com a quase certeza da distinção do Vista, no Hotel Bela Vista, na Praia da Rocha, onde João Oliveira (antigo braço direito de Ricardo Costa, no The Yeatman) está claramente a trabalhar nesse nível, como pude comprovar neste Verão. É claro que há falhas, mas o seu Menu de Sustentabilidade é imperdível para qualquer gastrónomo e uma estrela não significa propriamente a perfeição absoluta.

 

E há os candidatos “eternos” como o Gusto, do Hotel Conrad, na Quinta do Lago, um projecto tutelado pelo três estrelas (em Roma) Heinz Beck que tem estrelas noutros restaurantes em que é consultor em Itália e França. E, é claro, o Varanda do Ritz Four Seasons, de Lisboa. Que a cozinha de Pascal Meynard é mais do que digna de ser estrelada não tenho a menor dúvida. Mas há a questão do buffet ao almoço que, creio, continua a ser inultrapassável. Talvez um novo espaço neste grande hotel lisboeta fosse a solução, se é que o assunto é visto como um problema... Já o Euskalduna, no Porto, de Vasco Coelho Santos, que não conheço mas que do qual tenho ouvido os maiores elogios, julgo que ainda é muito recente. Mas será uma questão de tempo. Onde estive foi no Monte Rei, no Algarve, num estupendo jantar feito por Albano Lourenço (que já teve uma estrela Michelin na Quinta das Lágrimas) e muito gostaria que viesse daí uma supresa.

 

Como sempre, adivinhando as críticas do costume, digo já que estas especulações não significam as minhas preferências pessoais ou desejos, mas antes aquilo que ouvi por aí. E que  também como sempre espero estar enganado e que, além do Vista, de João Oliveira, venham muitos outras surpreendentes estrelas para os nossos restaurantes. Já falta pouco para saber.

 

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publicado às 18:11


3 comentários

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De João Gonçalves a 20.11.2017 às 22:01

"E, é claro, o Varanda do Ritz Four Seasons, de Lisboa. Que a cozinha de Pascal Meynard é mais do que digna de ser estrelada não tenho a menor dúvida. Mas há a questão do buffet ao almoço que, creio, continua a ser inultrapassável."

😂 😂 😂

Eu só gostava que caísse alguma coisa na zona centro.
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De José Tomaz Mello Breyner a 22.11.2017 às 20:47

Acertaste em cheio no Gusto e no Vista
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De Duarte Calvão a 23.11.2017 às 00:49

Há horas de sorte.

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