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Lendo nas estrelas (Michelin)

por Duarte Calvão, em 23.11.16

 

Prevê-se chuva forte, e até inundações, para esta noite de quarta-feira na Catalunha, mas sabemos já, seguramente, que haverá chuva de estrelas Michelin para os nossos restaurantes. Muitos convidados portugueses estarão lá a assistir – cozinheiros, jornalistas, bloggers, gente do meio e até responsáveis políticos, o que será uma estreia desde que o guia vermelho Espanha e Portugal passou a ser apresentado publicamente, em 2010, nas celebrações do seu centenário. Dessa vez, no então recém-recuperado Mercado de San Miguel, em Madrid, correu tão bem que nunca mais os responsáveis pelo guia ibérico quiseram outra coisa. Agora, coube à catalã Girona receber a gala, na Mas Marroch, espaço explorado pelos irmãos Roca, que esperemos que resista bem às intempéries, até porque o Mesa Marcada estará presente, sempre ao serviço dos seus leitores…

 

 

Desde que se soube que finalmente a Michelin se ia deixar de sovinices em Portugal para, de uma assentada, duplicar o número dos nossos restaurantes estrelados, que não se fala de outra coisa. Quais serão, quem foi visitado pelos inspectores do guia, quem desconfiou que foi visitado, quem foi convidado para Girona, quem não foi (embora o convite não seja garantia de estrelas e haja estrelas conquistadas por ausentes)... enfim, não deixa de ser curioso ver tanta gente - que, até há bem pouco tempo, desprezava as estrelas do “fabricante de pneus” - estar agora em pulgas para saber a quem vão ser atribuídas. Nunca a célebre fábula da raposa e das uvas fez tanto sentido.

 

Eu também tenho os meus palpites e como sempre vou errar. Só peço é que, por uma vez, compreendam que este exercício de adivinhação não contém nenhuma avaliação pessoal sobre a qualidade de quem eu acho que vai ter ou não estrela, quem “merece” ou deixa de merecer. É apenas um apanhado de interpretações, rumores, pressentimentos, o que se quiser, mas sem “informações de cocheira” *, sem ter a pretensão que estou por dentro dos insondáveis segredos do centenário guia.

 

Mas chega de conversa e vamos aqueles que me parecem favoritos, com a percentagem de probabilidade de ganhar estrelas que arbitrariamente estabeleci, sabendo de antemão que ninguém conquistará a terceira estrela.

 

Duas estrelas


The Yeatman (V.N. de Gaia) – 95%
Feitoria (Lisboa) – 90%
Il Gallo D’Oro (Funchal) – 70%
Lab (Penha Longa, Sintra): possibilidade de ganhar directamente duas estrelas – 15%
São Gabriel (Almancil) – 10%
Fortaleza do Guincho – 10%
Pedro Lemos (Porto) – 10%
Casa da Calçada (Amarante) – 5%

 

Uma estrela


Alma (Lisboa) – 95%
Lab (Penha Longa, Sintra) – 95%
Antiqvvm (Porto) – 90%
Loco (Lisboa) – 80%
William (Funchal) – 75%
L’And (Montemor-o-Novo) – 75%
Vista (Portimão) – 60%
Gusto (Almancil) – 60%
Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira) – 55%

Kanazawa (Algés) – 50%

Paparico (Porto) – 50%

Minibar (Lisboa) – 50%
Palco (Porto) – 40%
Herdade do Esporão (Reguengos de Monsaraz) – 40%
Varanda Ritz Four Seasons (Lisboa) – 35%
Ferrugem (Famalicão) – 25%
Mesa de Lemos (Silgueiros) – 5%

 

Espero não me ter esquecido de ninguém. Como é habitual, haverá quase de certeza restaurantes fora desta lista que irão ganhar estrelas, não gostasse o Michelin de nos surpreender todos os anos. E também perda de estrelas, algo que me recuso a considerar. Façam as vossas apostas.

 

* Expressão usada no Brasil para designar aqueles tipos irritantes que nas corridas de cavalos gostam de exibir os seus conhecimentos dos bastidores e que, errando quase sempre, indicam em quem se deve apostar

 

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publicado às 00:01


7 comentários

Sem imagem de perfil

De antonio a 23.11.2016 às 01:05

Duas estrelas - The Yeatman, Feitoria, Il Gallo D’Oro

Uma estrela - Alma, Lab, Antiqvm, Loco, William, L’And, Vista, Gusto, Casa de Chá da Boa Nova, Kanazawa, Palco, Herdade do Esporão, Al Quimia

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