Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




IMG_2992.jpg

Quando em Setembro do ano passado António Galapito nos desvendou as ideias que tinha para o restaurante com que se estrearia em Lisboa, não tivemos decoro em escrever no título que uma lufada de ar fresco iria chegar em breve à cidade. O certo é que já hoje, passados menos de seis meses desde a abertura do Prado, poucos dirão que exagerávamos.  

 

 

Galapito tem 27 anos e passou uma década em Londres a trabalhar essencialmente com Nuno Mendes, do Bacchus à Taberna do Mercado, onde foi chefe executivo até vir para Lisboa. O regresso à capital lusa não fazia parte dos seus planos, mas quando insistiram que viesse ver o espaço do restaurante que lhe estavam a propor, não demorou a mudar de ideias.  

 

Abriram em Novembro e apesar do entusiasmo que os levou a conquistar logo uma série de fervorosos adeptos (entre eles um cliente que após mais de 30 visitas acabou a trabalhar no restaurante), o sucesso foi sendo alcançado a pouco e pouco, o que permitiu irem afinando a cozinha e o serviço.

 

É preciso perceber que o conceito “farm to table”, muito assente na sazonalidade e no contacto permanente com os produtores, raramente tinha sido aplicado tout court, em Portugal, num restaurante de preços acessíveis. No seu caso, este cenário dá origem a um trabalho quase sem rede e a uma cozinha “constantemente inconstante”, como define Galapito nesta entrevista.  Todavia, se com a pessoa errada, o resultado poderia desembocar num desastre considerável, com o talentoso chefe português o desfecho pende para uma experiência bastante estimulante, mesmo quando há algo que possa não agradar.

 

Ainda assim não deixa de ser surpreendente que o êxito desta cozinha aparentemente simples, mas “muito maluca” (como definia Galapito, na nossa primeira conversa) - com maturações, fermentações, algas (inclusivamente nas sobremesas) e aproveitamento máximo dos alimentos (o que implica servir partes menos nobres dos animais) - tenha chegado rapidamente a uma clientela tão heterógena, como é possível de observar numa visita ao restaurante em dia de casa cheia. Afinal, se calhar, a cozinha de António Galapito, não é assim tão louca.

 

É mais um Menu de Interrogação patrocinado pela cerveja Estrella Damm, no âmbito do apoio da marca à gastronomia.

 

 

Abriria o seu primeiro restaurante numa cidade como Lisboa era há cinco anos?

Sem dúvida que não, Lisboa não estava preparada e eu muito menos.

Não iria abrir um restaurante porque sim. Tinha que ser uma oportunidade certa e fazer sentido. É muito importante esperar e aprender o suficiente (porque o conhecimento e saber nunca são de mais). Um restaurante não é só comida bonita, boa decoração e acessórios. Existem pessoas, organização, evolução, regras e métodos.

 

Quais foram os chefes e restaurantes, portugueses ou estrangeiros, que mais o influenciaram?

Obviamente, o Nuno Mendes. Mas sem dúvida que todas as pessoas com quem trabalhei me influenciaram. Acho que na realidade acabas por ser mais influenciado pelas experiências e pelo lado pessoal que essas pessoas te transmitem do que propriamente pelo seu estatuto.

 

Tem como objectivo vir a conquistar estrelas Michelin?

Não é o objetivo do Prado. Nós só queremos fazer boa comida, simples e saborosa. E acima de tudo dar a conhecer bons ingredientes nacionais. Não estamos a trabalhar para ter esse tipo de reconhecimentos.

 

Prado_prato.jpg

 

. O que é que se diz a um cliente que, desde que abriram em Novembro, já foi ao Prado mais de 30 vezes? Sirva-se a casa é sua? Não quer comprar o restaurante? “Get a life”?

Mas claro, esteja à vontade, beba à vontade, coma à vontade e no fim pague a conta com a mesma vontade que nós tratamos das sobremesas :D no fim da semana abrimos umas garrafas juntos!

 

Antes de abrir o restaurante meteu-se num carro, com parte da equipa, e foi pelo o país visitar produtores de vinhos e de produtos alimentares. O que é que o surpreendeu mais nessas visitas?

Os vinhos que provámos foi o que mais nos surpreendeu. Não estávamos à espera que fossem tão bons e tão dentro do nosso estilo (alguns menos extraídos, mais leves e com muita personalidade) .

 

A parte alimentar já sabíamos que a qualidade iria ser incrível. Ainda há muito a fazer e encontrar. Há muitos produtores que precisam de uma força para produzir as coisas certas e outros que só precisam de alguém que as queira comprar.

 

IMG_2991.jpg

 

A aposta do restaurante, quase em exclusivo, nos ditos “vinhos naturais” tem sido mais fácil do que pensava, ou continua a ser um desafio? 

As pessoas estão demasiado formatadas para o que acham que não gostam. Irá ser o nosso maior desafio, mas sem dúvida que é das poucas coisas que nunca iremos abdicar e das que me dá mais orgulho e prazer. O que seria de mim chegar ao fim da semana e não poder abrir umas garrafas com o staff porque não gostava dos vinhos. Isso é o mesmo que dizer que não gosto da comida que sirvo.

 

Como compara a cultura gastronómica dos seus clientes portugueses com os de Londres?

São iguais. Não acho que uns tenham mais que outros. Sem dúvida que Londres está dois, três anos à frente, portanto é normal que as pessoas assim o sejam, também. Acredito que o publico português esteja aberto a compreender o que temos para oferecer.

 

Percebe-se que esta cozinha mais rock n’ roll, muito em cima da disponibilidade e sazonalidade dos produtos, lhe dá um grande gozo e tem tido sucesso. Porém, presumo que haja um outro lado da moeda. Quais são as maiores dificuldades com que se tem deparado?

É verdade. Nem sempre é fácil manter-nos sempre em cima do que se passa lá fora na natureza. A maior dificuldade acho que tem sido em encontrar os produtos e depois em trazê-los (com fatura e sem portes)

Costumamos dizer que somos constantemente inconstantes e acho que isso nos define imenso como cozinha. Nós fazemos o que podemos e quando o produto é bom torna-se mesmo muito fácil. Porém, ao mesmo tempo, é desafiante trabalhar com ele.

 

Quais os restaurantes portugueses que mais gosta de frequentar?

Ramiro. Porque até agora foi onde consegui ir mais vezes. Não tenho tido muito tempo para conhecer outros, e além disso é ao lado de casa.

 

E a pergunta da praxe: qual seria a sua última refeição se soubesse que o mundo acabaria amanhã?

Uma perna de um excelente presunto, 5 ou 6 caixas de Gabrio Bini Serragghia bianco zibibbo 2014 e chamava a malta para a festa.

 

 

Patrocínio:

Banner_MesaMarcadaED_520x90px_09042018 (2).jpg

 

Fotos retiradas do Facebook e Instagram do Prado excepto a primeira que é da Taberna do Mercado

 

Posts Relacionados: 

 

Menu de Interrogação - 10 Perguntas a Carlos Maribona

Menu de Interrogação - 10 Perguntas a Adolfo Henriques

Menu de Interrogação - 10 Perguntas a Noélia Jerónimo

Menu de Interrogação - 10 Perguntas a Joana Macedo

Menu de Interrogação - 10 Perguntas a Ljubomir Stanisic

 

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:00



Patrocínio


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pub


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira as listas completas



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub



Calendário

Maio 2018

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Comentários recentes

  • L. Baptista

    Concordo plenamente. O verdadeiro "pão de cabeça" ...

  • André Miguel

    Off topic: então o Henrique Mouro está no Areias d...

  • Espetáculo!

  • João Faria

    Descobri-a há uns bons anos, lá fora. Desde então,...

  • Ana Paula

    OláEncontrei essa couve no Pingo Doce este fim de ...