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entradas_JamiesIt.jpg

Já se sabe que isto dos restaurantes tem muito a ver com as expectativas que temos sobre eles. Basta numa tasca encontrarmos pratos em que os fritos não sabem a óleo, o arroz não está espapaçado e os legumes serem frescos e não congelados e já saímos satisfeitos e considerando voltar. Já num três estrelas Michelin não perdoamos nada, um peixe um pouco fora do ponto, um pão banal, uma pequena demora no atendimento. Tem a ver com os preços que pagamos em cada um, é claro, mas tem muito mais a ver com o que esperamos de cada local. Ora as minhas expectativas em relação ao Jamie’s Italian, aberto no início deste ano no Príncipe Real, eram pouco definidas. Certamente que não estava à espera de encontrar um restaurante de topo, com uma cozinha criativa, mas também não seria uma destas neo-tabernas ou neo-tascas que há em Lisboa por todo o lado. Tinha lido numa entrevista pré-abertura ao responsável pela cadeia, o conhecido chefe e apresentador de televisão Jamie Oliver, que estes querem apenas ser “bons restaurantes italianos de bairro”. E é capaz de ser mesmo essa a melhor definição para o que encontrei.

 

 

A primeira coisa que me surpreendeu positivamente foi a facilidade de reserva via internet, com uns dois ou três dias de antecedência, e a maneira descomplicada com que reagiram de imediato a uma alteração posterior no número de comensais. Depois, fica já dito, há que realçar o óptimo atendimento, desde que entramos até que saímos - praticado por jovens portugueses - sempre atento, bem educado e bem disposto, sem nenhuma atitude (que temia encontrar, confesso) do género “eu trabalho para uma estrela internacional que aparece todo o dia na televisão, por isso já é uma sorte estar a dar atenção ao que diz”.

 

No ambiente da sala esteve principal problema encontrado, ainda que tenham como desculpa ele ser comum a muitos restaurantes portugueses, e haver gente que parece não se importar e até gostar. É que uma música demasiado alta, acompanhada pelo natural ruído de uma sala cheia, tornava difícil a conversação. Felizmente, havia ainda mesa no terraço das traseiras e, apesar do vento frio da noite de Verão (enfrentado com êxito razoável com recurso a agasalhos), foi preferível a levar com a desagradável barulheira do interior. Quanto ao resto, bom mobiliário e boa decoração, coerente com o estilo da casa.

 

massa.jpg

 Tagliatelle à bolonhesa Gennaro

 

Provei nas entradas as lulas fritas com chilli, alho e salsa, com maionese de alho, e os porcini arancini (bolas panadas de risotto com cogumelos e mozzarella, à direita da foto de abertura), pedindo ainda para abertura da refeição um dos “contorni” (acompanhamentos) sugeridos para os pratos principais, polenta frita com alecrim e parmesão (à esquerda na foto de abertura). Fiz bem, porque estes últimos destacavam-se, macios por dentro, estaladiços por fora, mas as outras duas entradas também estavam bem boas, tudo frito a preceito, sabores francos em harmonia correcta. Cuidado é com o chilli, bem forte, ao gosto do chefe inglês. Além da confecção, também gostei de ver que os produtos eram frescos e de boa qualidade, algo que se repetiria ao longo do jantar, aparentemente sem recurso a ”pré-preparados” e quejandos, que são a base de tantos “italianos” que há por aí.

 

lasanha.jpg

 Lasanha de rabo de boi

 

Achei que numa primeira visita ficava-me bem provar a receita de tagliatelle à bolonhesa de Gennaro, o chefe italiano radicado em Inglaterra que inspirou o jovem Jamie Oliver e muito o influenciou. A massa fresca (e julgo que caseira) estava bem feita e cozida, com um ragú de carne de vitela preparado em cozedura lenta com vinho tinto. Nada a dizer, soube-me muito bem. Provei também a lasanha (massa fresca) de ragú de rabo de boi, preparado em 12 horas de cozedura lenta com vinho tinto, bechamel, mozzarella e parmesão. Já nem me lembrava da última vez que tinha comido lasanha e mais uma vez gostei de reencontrar uma receita “de sempre” bem executada e saborosa. Sobremesas, para mim, sem história, (mais uma) Pavlova, com favo de mel desfeito e que se destacava pelas framboesas maceradas, e (mais um) bolo de chocolate com recheio de praliné fundido e gelado de baunilha e praliné. Banal, mas correcto.

 

Pedindo um dos vinhos mais caros da carta, um tinto italiano de 30 euros, a conta ficou em cerca de 30 euros por pessoa, o que julgo um preço muito bom para a qualidade do que se comeu, para o serviço que nos foi prestado e para o ambiente da casa. Não faço intenção de voltar em breve a este “italiano de bairro” porque tenho muitos outros lugares a conhecer ou reconhecer. Mas também se alguém me arranjar um pretexto para nova visita não me importo nada, senti-me bem por lá.

 

pavlova.jpgPavlova

 

Contactos:

Jamie's Italian Lisboa, Praça do Príncipe Real 28A, Lisboa. Horário: 2ª a 5ª, 12h - 23h; 6ª e Sábado, Sexta - Sábado12h - 00h; Domingo, 12h - 23h. Tel: +351 925 301 411. email: @jamiesitalian.pt 

 

Fotografias: Cristina Gomes 

 

 

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publicado às 12:24


7 comentários

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De Anónimo a 06.09.2018 às 12:55

Lá irei.Estava na dúvida. Esta crítica deixou-me mais confortável. Sempre posso dizer que estive num restaurante do Jaime da Oliveira
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De Anónimo a 09.10.2018 às 13:23

Nao aconselho, procure mais avaliações sobre o local e verá muitos desapontados, porque a comida não é lá essas coisas e o atendimento é péssimo. Em uma das vezes fui com convidados e passei vergonha. Nunca mais chega já dei 3 oportunidades e esse Jamie e me dei mal.
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De Anónimo a 06.09.2018 às 13:28

Bom dia
Sigo o vosso blogue a vários anos porque o considero excelente e sempre muito parcial e isento nas críticas
Neste caso tenho que discordar
Sou um dos maiores fãs do chefe Olivier, ao contrário do Duarte fui logo no início e ia cheio de espectativas
Iniciamos a refeição com a famosa tábua, que nos foi colocada em cima de duas latas de tomate italiano, surpresa !....
A tábua era constituída por duas fatias de chourição de supermercado que deviam de ter sido cortadas a muito tempo pois estavam secas e largavam gurdura, uma fatia de presunto que de certeza que não foi fatiada no restaurante duas bolas minúsculas de mozarela é uma fatia de gorgonzola é uma fatia de parmesão
Resumindo fracasso total
A refeição composta por carbonara e raviolis que estavam apenas razoaveis
Fomos questionados pela funcionária se estava tudo bem respondemos que não gostamos da tábua imediatamente apareceu a chefe de sala, sinal positivo, não teceu qualquer explicação técnica apenas fomos informados que o restaurante pertence a uma empresa portuguesa ligada ao meio gastronómico mas que as receitas são fornecidas pelo chefe Olivier e cumpridas á risca
Conclusão afinal o restaurante pertence a uma cadeia de frachesing deduzo eu, talvez tenha sido a fórmula encontrada pelo chefe de fazer face ás dívidas acumuladas que são públicas
Já tinha lido outra critica positiva numa revista conceituada que não concordei
Cumprimentos
Nuno Duque

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De Anónimo a 09.10.2018 às 13:21

Concordo plenamente consigo, passei pelo o mesmo e em outro oportunidade por atendimento e comida bem piores, já dei 3 oportunidades a esse restaurante, não quero decepcionar me aborrecer me novamente. Péssimo!
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De Fátima Bento a 09.10.2018 às 09:54

Fui pela primeira vez ao Jamie's em Abril, com uma amiga que tinha vindo a Lisboa em trabalho.
Não havia barulho na sala onde ficámos, como éramos apenas duas pessoas e a zona era composta por mesas para dois, foi bastante agradável - é que nem conseguíamos escutar o que o casal da mesa ao lado falava!
A comida estava soberba, os ingredientes fresquíssimos, a pasta fresca e caseira.
De sobremesa pedimos o incontornável Tiramusú, excelente.

Visita a repetir já na próxima semana, onde vamos festejar o aniversário de casamento, a dois.
É que não tenho NADA de negativo a apontar (e sou bastante esquisita...)
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De Anónimo a 09.10.2018 às 11:44

Boa descrição do restaurante !
Tb já lá fui e gostei em geral, só a música alta é que é bastante desconfortável, mas parece que hoje é moda, haja paciência !
Da próxima vez levo uns algodões para os ouvidos e vou pedir os partos por mímica ! lol
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De Anónimo a 14.10.2018 às 10:41

Acho que não lhes vou dar oportunidade, parece que a comida depende do estado de humor do chefe. Tenho mais onde gastar 30€.

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