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Miguel Vieira (36 anos) foi o chefe escolhido para substituir Vincent Farges no restaurante (e hotel) Fortaleza do Guincho. Vieira - que a maior parte dos portugueses conhece, sobretudo, da Televisão, onde tem sido júri do concurso Masterchef - era (é, até ao momento) chefe do restaurante Costes, em Budapeste (Hungria).

 

O seu currículo e perfil encaixavam-se no que os responsáveis do hotel procuravam para liderar a cozinha do Guincho. Segundo a directora do hotel, Petra Sauer, Miguel Vieira "é um cozinheiro com provas dadas, pois ganhou a primeira e única estrela Michelin da Hungria, apenas um ano depois de lá ter chegado, e tem-na mantido ao longo destes seis anos. É um cozinheiro jovem, mas com muito ‘mundo' e referências gastronómicas interessantes: formou-se numa das escolas de gastronomia de maior prestigio internacional e logo após passou por restaurantes de topo em Inglaterra, França e Espanha". Em Portugal, Miguel Vieira tem apenas uma curta passagem pelo Hotel Ritz, onde, trabalhava quando soube que tinha ganho a estrela Michelin em Budapeste, um facto que o levou a regressar à Hungria. 

 

Na decisão desta escolha terá sido levado em conta, também, o facto de Vieira ter trabalhado em restaurantes e hotéis da cadeia Relais & Châteaux, a associação em que o Guincho está integrado. Por último, como nos tinha afirmado Petra Sauer, na altura em que foi comunicada a saída de Vincent Farges, tinham preferência por um chefe português. "A alta cozinha portuguesa tem-se desenvolvido imenso nos últimos anos e, por isso, acredito que é o momento para passar o testemunho do Guincho desta forma : partilha-se a mesma linguagem, a mesma identidade cultural e gastronómica".

 

E o que se espera do Fortaleza do Guincho com Miguel Vieira?

 
"Com um chef português - que por acaso nasceu e cresceu em Cascais -, teremos certamente uma cozinha ainda mais portuguesa. Todos estes anos, até agora, muito mérito deve ser dado ao Vincent (Farges), que foi quem levou o conceito criado em 1998, baseado na cozinha francesa, àquilo que é hoje a ' cozinha do Guincho' . Vincent chegou e introduziu produtos e influências portuguesas e, agora, o Miguel Vieira terá também a sua própria identidade e visão gastronómica. Porém, obviamente, há um compromisso de qualidade e rigor para com os nossos clientes. E isso mantém-se, independentemente do estilo e da filosofia do novo chef executivo. No fundo, pode esperar-se uma nova etapa na Fortaleza do Guincho, mas com a matriz clássica que sempre marcou o restaurante".
 
O Fortaleza do Guincho abriu em 1998, no seguimento de um convite endereçado pela familia Ho (proprietária do hotel e do Casino do Estoril) ao "triestrelado" chefe alsaciano Antoine Westermann. Em 2001 recebeu a sua primeira estrela Michelin, uma distinção que tem vindo a ser renovada, ano após ano, num caso ímpar de regularidade, ao ponto de ser o restaurante  da região de Lisboa, e o segundo a nível nacional, que conta com uma estrela no guia vermelho há mais anos. Marc Le Ouedec foi o chefe executivo colocado por Westerman na fase inicial do projecto (saiu em 2005), seguindo-se Vincent Farges que se manteve até aos dias de hoje. A Farges se deve a evolução da cozinha do restaurante, tendo-se destacado, não só pela criatividade, sensibilidade e rigor técnico, como também pela introdução e valorização de produtos portugueses. Desde que  criámos, em 2009, a listagem dos "10 restaurantes e 10 chefes Preferidos do Mesa Marcada", o restaurante e/ou o seu chefe foram presença assídua entre os cinco primeiros. 
 
Miguel Vieira é então o chefe que se segue para  dar continuidade ao palmarés exemplar do Guincho. Embora não conheça o trabalho de Vieira (provei apenas um ou dois pratos numa Rota das Estrelas), pelo que vou vendo, à distância, parece-me um chefe com carácter, qualidade e capacidade para a tarefa que irá desempenhar a partir de Agosto. Há só que dar-lhe tempo para desenvolver as suas ideias. 
 
 
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publicado às 23:49


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