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Começa por esta altura o frenesim das estrelas Michelin. "Quem achas que vai ganhar este ano?", "Achas que é desta que vai haver um 3 estrelas por cá?", são duas das perguntas que me têm feito nos últimos tempos, em relação à edição do Guia Michelin Espanha e Portugal 2018, que será revelada dentro de duas semanas, em Tenerife.

 

Em geral, depois da fartura do ano passado, quando, de repente, passámos de 3 para 5 no número de restaurantes com 2 estrelas, e de 11 para 18, nos de 1 estrela, tenho respondido que não espero grandes novidades este ano - algo que no próximo dia 22 de Novembro adoraria dizer que estava errado (mas não creio).

 

Além dos óptimos resultados de 2017 e de não ver muitos restaurantes por cá como potenciais candidatos, tem havido alguns sinais que me levavam a pensar assim, desde a decisão (mais uma vez) de não fazerem o evento de lançamento em Portugal (independentemente de Tenerife se ter chegado à frente com mais dinheiro), à percepção de ter havido menos gente convidada para a cerimónia deste ano.

 

Porém, não é necessário entrar em mais especulações ou mistérios porque os sinais parecem cada vez mais evidentes, a julgar pelas palavras da directora comercial da marca, Mayte Carreño, há dois dias, num encontro com a imprensa espanhola em Madrid (e para a qual, para variar, creio que nenhum jornalista de Portugal foi convidado. Enfim, o tratamento de igualdade típico desta Michelin sediada em Madrid). 

 

Segundo o relato da minha colega Marta Guadaño, no site Gastroeconomy, "La ejecutiva ha ofrecido datos o pistas numéricas (sin nombres) sobre el reparto de estrellas, que, unidas a cierta matemática y lógica sectorial, deja así el posible balance para 2018: 2 nuevos triestrellados, 5 nuevos ‘doses’ y 19 primeras estrellas (considerando que estos datos corresponden a España y Portugal)".

 

Segundo Guadaño, a responsável da Michelin referiu que "passará a barreira dos 10 restaurantes com 3 estrelas". Ora se só havia nove e se passará a barreira dos 10,  existirão dois novos, conclui ela. A jornalista só se esqueceu de referir que a Michelin não é boa de contas. No ano passado, também informaram que haveria o dobro de estrelas para Portugal e não foi bem isso que se passou.

 

Em relação a 2 estrelas, segundo a mesma fonte, Carreño avança que haverá vários contemplados, mas que em menor número do que em 2017 (em que houve sete novos: cinco para Espanha e dois para Portugal): “Menos que el año pasado y más que hace 5 años”. A jornalista estima que haverá "uns 5 novos biestrelados para Espanha e Portugal". Bom aqui encaixava bem a segunda estrela para o Feitoria, mas se calhar é só mais um wishful thinking meu do que outra coisa.

 

Em relação a novos restaurantes com 1 estrela, e ainda de acordo com a mesma fonte: “Se espera en torno a una veintena, un nivel próximo al de años anteriores”. Esos 20 podrían ser, quizás, 19 (siempre para España y Portugal). “Es una buena selección, pero podría haber habido más nuevas primeras estrellas, que, debido al cierre de algunos negocios [a los que Michelin esperaba conceder distinción], no han sido posibles”, señaló Carreño". Encaixa bem aqui, especulo eu, o restaurante do Esporão, que mudou recentemente de rumo  com a saída de Pedro Pena Bastos. A Michelin adiantou ainda que haverá perda de estrelas, mas que serão todas derivadas de "encerramento de negócios". 

 

Já concretamente a declarações em relação a Portugal, e desta vez segundo o DiarioInformacion (cujo o link tinha sido deixado aqui num comentário a ao post anterior do Mesa Marcada), "Mayte Carreño ha apuntado que si en 2017 sus restaurantes vivieron "un triple salto mortal" al sumar siete estrellados frente al uno que tenía en 2016, la nueva edición será "de consolidación", lo que es una "buena noticia". 

 

Portanto, Keep Calm... Ou não? Podem fazer as vossas apostas.

 

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publicado às 12:06


8 comentários

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De João a 09.11.2017 às 15:19

Custa-me imenso acreditar que o Esporão abdica-se do seu espaço de fine dining, a tão pouco tempo do anúncio do Guia Michelin, se não estivesse convicto (ou seja, se não tivesse já a informação) de que, mais uma vez, este não seria o ano de Pedro Pena Bastos.
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De Miguel Pires a 10.11.2017 às 11:12

Podemos sempre especular o que quisermos, como, por exemplo: até tinham sinais (porque nunca se sabe de certeza o que vai acontecer com essa distância) mas não lhes interessava porque já tinham a ideia de mudar de tipo de cozinha e com a estrela seria mais difícil fazê-lo.
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De João Faria a 10.11.2017 às 11:55

Se durante tanto tempo sacrifícios foram feitos na tentativa de alcançar a famigerada estrela - e sabemos o quanto o galardão significa ao nível do aumento da receita - até como negócio seria muito estranho que não esperassem pelo anúncio. Não faria sentido morrerem (por vontade própria) na praia depois de tantos anos a lutar por ela. É nesse sentido que, especulando, acredito que teriam essa informação quando anunciaram o fecho do espaço de fine dining.

É verdade que corre o boato contrário, mas isso é algo que não cola para estes, pela lógica que supra referi.
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De Gonçalo Queiroz a 09.11.2017 às 15:58

Apostava que ganhávamos mais se fizéssemos uma vaquinha e se juntassem importantes e ilustres personagens da gastronomia Portuguesa rumo à sede e pedir uma independência à moda dos catalãs. :)
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De Anónimo a 10.11.2017 às 10:54

Miguel,

Neste momento já foram recebidos os convites, pelo que já dá para ter uma ideia sobre o que se vai passar, ainda que, obviamente, prevaleça o habitual embargo.

Isso sim e ainda que nada politicamente correto, mais do que as estrelas que ficam por atribuir, descredibiliza as que não são retiradas (nenhuma segundo a noticia, a não ser em casos de fecho), demonstrando que apesar de tudo o guia continua a ser mais rápido a atribui-las do que a retirá-las.

Se em Nova Iorque tiveram "coragem" de retirar a terceira estrela ao Jean Georges e há um par de anos ao Daniel (o Per Se continua com uma em excesso), não se entende porque no Guia España&Portugal sitios como por exemplo Arzak e Pedro Subijana continuam a ter as três ou sitios como La Terraza del Casino e El Club Allard e também, há que reconhecê-lo, o Villa Joya e mesmo o... Belcanto continuem a ter duas estrelas (a respeito deste último, já espero a recriminação dos indignados de sempre, mas o que é certo é foi o pior ano do Belcanto desde que existe).

Dia 22 em Tenerife há mais. Aí nos encontraremos.
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De Miguel Pires a 10.11.2017 às 11:16

Seria de bom tom, a alguém que tem uma opinião tão assertiva sobre este (ou qualquer outro) assunto, que assinasse no fim. Acho que daria um bocadinho mais de credibilidade...
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De Anónimo a 10.11.2017 às 12:00

Mero lapso.
Fica a assinatura: Carlos Dias.
Encantado.
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De Duartecalf a 10.11.2017 às 15:17

Se no ano passado íamos duplicar e não duplicámos, "consolidação" só pode ser manter tudo (que eu saiba nenhum espaço fechou ou vai fechar) e acrescentar umas 2, eventualmente 3 estrelas - é a minha aposta.

Não sei quem foi convidado, o que no ano passado indiciou alguma coisa. Também não jantei em muitos dos cogitados e àqueles que fui foi apenas uma vez. Disclaimer feito.

Distribuindo, diria uma segunda para o Feitoria (num exercício comparativo acima de quase todos os 1*) e talvez uma para o Vista (onde não fui mas sobre o qual pessoas cuja opinião respeito me disseram bastante bem). Apostaria no Esporão mas fechou/anunciou a reformulação com antecedência suficiente para o Guia poder "deixar de atribuir" - se é que isso estava pensado.

Numa opinião mais pessoal, gostava que o Euskalduna Studio ganhasse uma, embora admita que seja cedo.

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