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Pêras duras como pedras

por Duarte Calvão, em 20.01.16

 

peraMM (1).jpgNa época passada, não apanhei nenhuma. Nesta, no início do Outono, ainda consegui comprar algumas pêras Rocha de polpa macia e sumarenta, mas a partir daí a desgraça que se está a tornar habitual: duras, com uma polpa rija, seca, amarga e esponjosa, quase parecendo uma espécie de esferovite mais compacta e ligeiramente adocicada. E não adianta deixar a amadurecer em casa, ao fim de semanas estão na mesma, Na época passada, o miolo chegava a apodrecer, deixando a polpa igualmente dura.

 

 

Compro habitualmente nos mercados biológicos, também porque gosto de comer com casca (onde, aliás, parece que se concentram de forma elevadíssima antioxidantes e outras coisas boas para a saúde), mas tentei mercearias e supermercados e por todo o lado as pêras Rocha estão intragáveis. Não percebo a razão, se as colheram cedo de mais, se tem a ver com refrigerações ou congelações, se lhes puseram produtos que as fazem assim. Só espero que os produtores, que têm feito um trabalho notável de divulgação e distribuição em Portugal e no estrangeiro desta fruta que na Região Oeste é classificada com DOP, não estejam a depenar a galinha dos ovos de ouro, desporto habitual entre nós.

 

Seria uma pena que uma imagem que levou tanto tempo a construir fosse desfeita em dois ou três anos. Se é que não está já a sofrer danos irreparáveis, como demonstra uma pergunta que me fizeram há cerca de um ano no Rio de Janeiro (para onde as pêras Rocha portuguesas são muito exportadas): “elas chamam-se Rocha porque são duras como pedra?”. Coitado do Sr. Rocha, que há mais de 170 anos desenvolveu esta pêra única na sua quinta em Sintra.

 

Fotografia: Gazeta Rural

 

 

 

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publicado às 15:24


1 comentário

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De SMD a 21.01.2016 às 19:37

Em termos de meteorologia foi um ano complicado, além de que acho que ouvi falar dum fungo.

« Contrariamente ao ano anterior, que foi um dos
melhores das últimas décadas para a produção de pera, registou-se uma queda muito abundante destes
frutos, dada a adversidade das condições climatéricas nos períodos de floração e vingamento dos frutos,
assim como problemas sanitários, em particular na zona do Oeste, que reduziram o volume de produção em
cerca de 30%. »
https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=249269190&att_display=n&att_download=y

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