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O Antiqvvm era um dos restaurantes do Porto que queria conhecer dado tratar-se de um novo projecto associado Vítor Matos, que, como é sabido, em Julho passado deixou da Casa da Calçada. A critica mais pormenorizada em relação a esta experiência poderá ser lida no próximo número da revista Wine. Para já, para abrir o apetite, fica um traço geral.

 

 

Aberto em Outubro de 2015, o restaurante ocupa o espaço onde foi antes o Solar do Vinho do Porto, na Quinta da Macieirinha, ao lado do Palácio de Cristal, uma casa de época, cuja remodelação manteve a traça e o espírito vintage. 

 

Embora este não seja ainda o restaurante de cozinha de autor que Vítor Matos espera poder vir a abrir a prazo, segundo o mesmo declarou há uns tempos, o estilo de cozinha é  elaborado e refinado, onde se evidência toda a escola francesa do chef com um toque português, mais ou menos acentuado, conforme as propostas.

 

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A carta é relativamente simples (mas não simplória) e parece-me que não teve grandes alterações desde que o restaurante abriu portas - talvez seja esse o ponto que se distingue mais do seu trabalho anterior, em Amarante. Porém, o nível é completamente de estrela Michelin. Diria mais, das refeições que fiz neste périplo por 4 restaurantes de topo do Grande Porto, esta pode não ter sido a que mais me emocionou, mas foi a mais perfeita - e antes que alguém comece a pensar em privilégios, deixem-me dizer que o chef não estava presente nesse dia e que a reserva foi feita sob anonimato. 

 

Para os não adeptos de degustações longas, o Antiqvvm serve à carta, ainda que o menu de degustação não seja demasiado extenso e valha a pena. Por exemplo o maior, de 5 pratos + snacks (foto abaixo), queijo e petit fours, fica em 75€ e, se se optar por prescindir do prato de carne ou do de peixe, baixa para 67,50€. Fazer a harmonização com vinhos fica em mais 40€. 

 

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De tudo o que tive oportunidade de provar a única falha a apontar vai para o pão banal que foi servido (mais valia nem apresentá-lo). De resto, foi uma refeição de grande nível, da elaboração à apresentação, passando pela qualidade do produto, já para não falar dos vinhos sugeridos (escolhi a copo em detrimento da harmonização de um copo para cada prato). 

 

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Vieira corada com ravioli de camarão e carabineiro. 
 
Costumo dizer que já não tenho paciência para vieiras e para a falta de imaginação dos pratos em que normalmente aparecem. Porém, quando são desta qualidade e tão bem acompanhadas, dou a mão à palmatória.
 

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 Robalo selvagem escalfado com algas, xerém de camarão, molho de mexilhão e açafrão.

 

 

Pow! que robalo! que execução... que belo conjunto!

Antvv_carre.JPG Carré de borrego com mostarda em grão, rutabaga, canónigos, acelgas e cherovia.

 

Ao contrário do que acontece com as vieiras o meu lado old school raramente resiste a um carré de borrego. E se todos fossem assim apetecíveis... 

 

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creme brûlée de fava tonka e café Nespresso, gelado de avelã, pistachio e banana caramelizada com rum.

 

Menos talvez fosse mais. Ou seja: não era preciso uma sobremesa tão complexa. A "natureza morta" era o suficiente para o aplauso. Até porque ainda havia mignardises com o outro café, depois do prato de queijos portugueses.

 

Clap, clap, clap, aplausvvm, senhores: uma cozinha clássica contemporânea, assim, never goes out of style.

 

Contactos: R. de Entre-Quintas 220, 4050-240 Porto; Tel: 22 600 0445. Horários: 3F a Domingo, 10h - 24h.

 

nota: o restaurante fica numa rua sem saida e o gps tem tendência por indicar um trajecto errado. Para quem vem do centro, entre por cima, logo após ao Palácio de Cristal. 

 

Fotos: minhas, com excepção das duas primeiras, retiradas do site do restaurante. 

 

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publicado às 16:38


3 comentários

Sem imagem de perfil

De André Miguel a 05.03.2016 às 10:43

Lendo os vossos textos cada vez mais fica a ideia da estrela Michelin como objectivo e não como consequência. E cada vez percebo menos o que é o estilo "Michellin", aliás nem sabia que havia um.

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