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Ainda não tinha tido oportunidade de voltar ao restaurante Pedro Lemos, no Porto, desde a remodelação que teve lugar em 2015, logo a seguir à conquista da estrela Michelin. O espaço ganhou uma imagem mais sóbria e informal (dentro de um registo de uma certa sofisticação), com destaque para o andar de baixo onde se pode comer enquanto se inveja a óptima garrafeira do restaurante - repleta de champanhes (a perdição do Pedro) e vinhos menos habituais, que podem ser pedidos a copo graças ao sistema Corovin.

 

 

Este regresso foi meio inesperado dado que a hipótese surgiu à última da hora após uma refeição noutro lugar que não chegou a ser completa. Por isso ia apenas para provar uma ou duas coisas e pedi ao Pedro para enviar o que quisesse, algo que  alguns clientes lhe pedem e que ele normalmente faz, até porque sendo um adepto do aproveitamento completo dos produtos que lhe chegam, há sempre uma ou outra parte que acaba por não ir parar à carta - por questões de quantidade ou, infelizmente (ou felizmente), porque de um modo geral o cliente não lhe pega. Portanto, com uma ou outra excepção assinaladas, as fotos e descrições que se seguem são um free style do chefe de inspiração ao momento. E que momento! 

 

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"raia, assim tipo caldeirada", com a dita repousada num molho de caldeirada potentíssimo, em boa companhaia (carapau e berbigão). Sou um adepto da cozinha rústica refinada do chefe portuense, muito baseada no sabor e nos sabores portugueses, sem renegar um toque afrancesado, ou não tivesse ele passado pela fértil escola de Aimé Barroyer.

 

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Barriga de robalo, açorda de ovas e ova deste peixe. Sabores bem definidos num conjunto equilibrado a puxar para o conforto. Belíssimo prato.  

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Choco com quadradinhos de pão (crutons) fritos em azeite e depois passados pelos sucos das entranhas do bicho. Como referi acima, Pedro Lemos gosta de aproveitar tudo o que o produto lhe dá e este prato de intensidade 10, é um exemplo disso. Um autêntico estalo de mar pelas goelas abaixo.  

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E quando pensava que já era dificil melhorar uma refeição cheia de momentos altos, surge este pombo num incrível jus enriquecido com trufa, uma proposta que faz parte da carta. Veio acompanhado de puré de aipo e folhas tenras do vegetal (as do interior, que são mais suaves). Um dos pratos do ano, sem dúvida. Sabor, combinação perfeita... um prato de comer e lamber (escusado será dizer que regressou limpo à cozinha). 

 

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Para terminar em beleza uma interessante e apaziguadora sobremesa da carta: gelado de queijo azul, pera bebeda, gel de limão, mousse e brownie de chocolate. Um doce amigo do vinho do porto e bem mais elegante do que parecia à partida .  

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No final ainda deu para dar um salto ao terraço onde o Pedro Lemos montou uma pequena horta urbana (um sistema montado pela da empresa portoense Noocity) que, com os seus actuais 2000 pés de diversos tipos de vegetais, abastece uma boa parte das necessidades do restaurante. Embora não seja auto suficiente - não era esse o objectivo - Lemos diz que a horta funciona, também, como um factor de conscencialização em relação ao desperdício. "passamos a dar mais valor às coisas quando sabemos o trabalho que dá cuidar delas ", referiu-me.

  

Já era um adepto da cozinha de Pedro Lemos, um chefe que não dispensa a sua presença ao fogão. Porém, depois desta inspirada refeição de cozinha "ao momento", ainda fiquei maior fã.

 
Contactos: Rua Padre Luís Cabral 974, Porto. Tel: (+351) 22 011 59 86 ; aberto de Terça a Sábado 12:30h - 15:00h e 19:30h - 23:00h. Preço médio: 60/70€ (à carta). Menus com pratos à escolha a partir de uma carta de 9 propostas: 4 pratos (80 euros); 6 pratos (100 euros), 8 pratos (120 euros). A refeição descrita acima foi oferecida. 

 

Fotos 1 e 8: Pedro Lemos;  7: Reserva Recomendada; pratos: Miguel Pires

 

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publicado às 18:13


5 comentários

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De João Faria a 07.04.2016 às 19:48

Invejo-lhe (saudavelmente) a experiência, até porque alguns dos pratos parecem deliciosos. No entanto...

Desde que ganhou a atenção do famigerado guia, e com a grande inflação dos preços, deixei de reconhecer o restaurante de que tanto gostava.

Na minha opinião, com a estrela a qualidade manteve-se, os pratos que eram bons continuaram a ser bons (com alguns apenas medianos), em vez de serem soberbos, algo que espero em restaurantes desta gama de preços. Para além disso, na última refeição que por lá tive, um dos pratos que veio para a mesa foi pedido nesse estilo free style, pois a pessoa que o pediu não comia carne... Certo é que cedo se arrependeu de não ter optado dos pratos presentes na carta, pois a ideia com que se ficou foi que aquele prato ali estava simplesmente para despachar, sem qualquer brilho, desenxabido.

Outro dos pontos nesta avaliação do restaurante é a criatividade (ou a falta dela) existente na cozinha de Pedro Lemos, característica que me motiva particularmente e que não encontro (com o nível que esperaria) nas propostas do chef. Nem no amuse bouche, que poderia ser olhado como um momento para maior risco e inventividade...

Estou como o Carlos Alexandre. Vou "dar um tempo", de momento a relação preço-qualidade não me atrai.

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