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Estrelas Michelin: amo-te e odeio-te. Há quem as deseje arduamente, e, também, quem depois das ter desejado as queira deixar de ter. O caso mais recente é o do restaurante Le Suquet à Laguiole, no Sul de França, do lendário chef Michel Bras (à esquerda na foto), inspirador dos movimentos naturalistas mais recentes (nórdicos e afins), entre outras coisas e outros movimentos anteriores. Desde há 10 anos liderado pelo seu filho Sebastián (à direita na foto), o Le Suquet detem a distinção máxima do Guia Francês desde 1999.

 

 

Porém, agora, com acordo do pai, Sébastian quer-se livrar de toda a pressão que traz tal comenda e apela ao Guia Michelin para deixar de as ter. "Pretendemos prosseguir com o espírito livre, sem o stress, e oferecer uma cozinha e um serviço que represente esse espírito e o nosso terroir", refere em comunicado à Agência France-Presse (publicado no Le Monde e a que cheguei via Eater.com).  

 

A história não é nova. Antes de Bras, outros tiveram a mesma intenção de deixar de pertencer ao restrito clube dos 3 estrelas do guia vermelho: Joel Robuchon (1996, no seu restaurante parisiense), Alain Senderens (2005), Antoine Westermann (2006) , e Olivier Roellinger (2015), só para referir os nomes mais sonantes, todos de França. As razões são variadas e vão da pressão (por vezes associada à idade), à mudança para um conceito de cozinha mais simples. Há ainda o caso de Ferran Adrià que pura e simplesmente resolveu fechar o El Bulli, no auge da carreira, ou de chefes que quando não são proprietários, simplesmente abandonam o restaurante em busca de algo mais simples, como foi o caso de Dominique Le Stanc (que só tinha duas estrelas), de quem em tempos falámos aqui.  

 

Estas noticias geram sempre apoios e muitos aplausos - normalmente de quem não tem estrelas ou de quem tendo gostaria de seguir os mesmos passos. Porém, e ao contrário do que muitas vezes se escreve, as estrelas não se entregam, nem tão pouco se desiste delas, do mesmo modo que não é uma decisão do chefe possui-las.

 

E é isso que mais uma vez lembra uma das responsáveis pelo guia em França, Dorland-Clauzel. "Não é a primeira vez que um chefe nos pede para deixar de figurar no guia. Anotamos a intenção e respeitamos, porém, não é automático. As equipas vão examinar o pedido e reflectir sobre o que fazer". Dorland-Clauzel reforça ainda que "o Guia Michelin não é feito para os donos de restaurantes, mas para os seus clientes e que a sua independência está na atribuição das distinções". 

 

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Uma das várias versões de le gargouillon, um dos pratos mais emblemáticos de Michel Bras, que é ainda o autor do coulant de chocolate, talvez a sobremesa mais (mal) copiada do mundo.  

 

Fotos retiradas de imagens do filme Entre Les Bras. Na foto de cima 

 

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 . Para quem adora histórias de chefes que largaram as estrelas Michelin 

 

 

 

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publicado às 17:32


2 comentários

Sem imagem de perfil

De PR a 21.09.2017 às 20:21

Tão grande foi o choque da perda da terceira estrela do restaurante que tem no Japão (Bras Toya, guia Michelin Hokkaido 2018, agora duas estrelas) anunciada há um par de semanas atrás; que levou, ou vá lá...contribuiu, para esta tomada de decisão drástica. Azia em forma de rebelião com enorme divulgação mediática. Um crack!
Sem imagem de perfil

De PR a 21.09.2017 às 20:36

"Porém, e ao contrário do que muitas vezes se escreve, as estrelas não se entregam, nem tão pouco se desiste delas, do mesmo modo que não é uma decisão do chefe possui-las."

Não é verdade Miguel. Ainda que abissalmente menor do que o numero dos não têm estrela(s) e dariam tudo para as ter, são conhecidos vários casos de restaurantes que pedem aos editores do guia para não serem incluídos.

Apenas a título de exemplo:
https://elpais.com/elpais/2014/12/02/inenglish/1417521188_192723.html
https://munchies.vice.com/en_us/article/vvqmp3/why-the-chef-of-an-all-female-kitchen-rejected-her-michelin-star

Esses pedidos sempre foram acatados.

E se quiser ir mais longe que a Europa, então no Japão ficaria surpreendido com a quantidade de restaurantes que se recusou (e recusa) sequer a ser incluído nos guias (condição sine qua non para ter estrelas, obviamente).

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