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Victor Etxebarri.jpg

Já se encontra em Bilbau um grande grupo de chefes, jornalistas e aficionados da gastronomia mundial para participar na cerimónia do World 50 Best Restaurants que se realiza amanhã à noite na cidade.

 

Já há alguns anos que o “50Best” é uma organização autónoma com uma série de eventos paralelos que tenta ir além da cerimónia e do anúncio da famosa lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. Para isso foram criados outros prémios e conferências/debates como o “50 Best Talks” e “Food meets Art”, que decorreram ontem e hoje de manhã, com a curiosidade, neste último caso, de ter tido a artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos como uma das convidadas no debate que reuniu ainda os chefes Alain Passard e Massimo Bottura, bem como o arquitecto e designer italiano Giulio Cappellini.

 

 

No Instagram tenho mostrado e escrito sobre estes e outros acontecimentos que passam/passaram aqui no País Basco, onde estou desde dia 14, e conto ainda publicar no Mesa Marcada uma súmula do acontecimentos. Porém, neste momento, creio ser pertinente tentar antever um pouco quem irá liderar a lista que será divulgada amanhã.

 

3 razões porque o Asador Etxebarri poderá vir a ser o melhor restaurante do mundo

 

Para tal inquiri alguns dos presentes e com base nessas conversas informais, na leitura que faço de algumas tendências diria que o Asador Etxebarri, de Víctor Arguinzoniz (em Atxondo, entre Bilbau e Vitória) é um dos restaurantes mais bem posicionados para ser anunciado com o título de “melhor restaurante do mundo”.

 

Digo isto por três razões. Em 1º lugar por ser indiscutivelmente um dos restaurantes preferidos tanto dos chefes de cozinha, como de todos os gastrónomos que o visitam, o que nos leva à 2ª razão: essa preferência fez com que venha subindo gradualmente no ranking, ao ponto de em 2017 ter alcançado o 6ºlugar.

 

Por último, uma última razão,prende-se com uma tendência actual espelhada na segunda parte da lista, divulgada a semana passada com os restaurantes que ficaram entre a 51ª e a 100ª posição (e em que o Belcanto de José Avillez, recorde-se, surge em nº75).

 

Por exemplo, uma das leituras que se pode tirar dessa publicação prende-se com o facto de surgirem bem classificados restaurantes que privilegiam a grelha e/ou a cozinha de produto. Ou seja, cozinhas mais simples, que envolvem um ou mais ingredientes chave de grande qualidade, conhecimento técnico, mas pouca tecnologia. É o caso do Elkano, em Getaria (País Basco espanhol), famoso pelos seus pregados na grelha, na 77ª posição, do Burnt Ends (Singapura), em 61º, ou da Casa do Porco Bar, em São Paulo, no nº 79, ou ainda da entrada D. Júlio, em Buenos Aires, para o 55º lugar.

 

A catalã Cristina Jolonch, jornalista do La Vanguardia e responsável pelo júri de Portugal e Espanha, gostaria que o Celler de Can Roca voltasse a ganhar, “até porque são 3 irmãos geniais e é como se fosse uma vitória para cada um”, mas reconhece que um dos restaurantes que se mais fala é precisamente do Etxebarri.  “A parrilla (grelha) é uma tendência e o 50 Best costuma reflectir as tendências”, justifica. Carlos Maribona do Salsa de Chiles e ABC, afina pelo mesmo diapasão: “aposto no Etxebarri. Se correres o top de 51 a 100 estão lá muitos que assam”. Já Rosa Rivas, colaboradora do El País, menciona o Celler e o Mugaritz (“até pelos 20 anos”) mas também acha que o restaurante do discreto chefe Víctor Arguinzoniz poderá levar a melhor. Mas não é só entre os jornalistas espanhóis que apostam neste lugar. Também o sueco Mattias Kroon ou o russo Gennady Jozefavichus vão nessa direcção.

 

Contudo, os jornalistas (estes e outros) chamam à atenção para o facto de nos últimos anos as previsões terem falhado e por isso vão chutando outros nomes para o topo, como a manutenção do Eleven Madison Park (Nova Iorque), o regresso, como já mencionámos, do Celler de Can Roca (Girona), ou da Osteria Francescana, de Massimo Bottura (Modena), ou ainda de uma outra novidade que poderia muito bem ser o Mirazur, de Mauro Colagreco, (Menton). Olhando para a lista de 2017 e pelo que tenho visto durante este ano, acrescentaria ainda uma outra hipótese: Gaggan, em Banguecoque.

 

Porém, uma coisa parece certa, mesmo que não fique em primeiro lugar, ou que o título chegue apenas na próxima edição (embora o novo Noma se vá meter na equação) é bem provável que o Asador Etxebarri alcance pelo menos o pódio. Amanhã se saberá.

 

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Massimo e Lara Bottura da Osteria Francescana, os sempre candidatos a nº1

 

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Embora o Belcanto tenha ficado "apenas" em nº 75, José Avillez e David Jesus não deixaram de aproveitar o convite que lhes foi feito para estarem presentes na cerimónia desta terça-feira.

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Eneko Atxa, do Azurmendi, dando as boas vindas hoje de manhã na conferência de imprensa que decorreu no Guggenheim. 

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Claire Smyth do Core by Claire Smyth (e ex chef de Gordon Ramsey) a ser entrevistada a propósito de ter ganho o prémio de melhor chefe mulher de 2018

 

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Gaggan Anand,  um dos favoritos, ontem de manhã, na sua apresentação no 50 Best Talks, que decorreu no Basque Culinary Center, em San Sebastian. 

  

 

 

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publicado às 19:40



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