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Será que podemos comer algas como os japoneses?

por Duarte Calvão, em 03.12.17

 

De há uns tempos para cá comecei a sentir uma certa repulsa por algas, hoje muito frequentes nos menus de vários restaurantes europeus mais criativos.  E comecei a pensar no assunto. Porque será que, sendo um recurso fartamente abundante e barato, nunca foi usado no receituário dos países ocidentais ao longo dos séculos e milénios? Parece que a Irlanda é a única excepção com algumas receitas, mas sabendo que foi um país que passou por graves carências alimentares – e, tratando-se de uma ilha, agravadas pelo isolamento - talvez seja essa a explicação. Pois bem, há uns meses, deparei, através da excelente página de Facebook Guitián Mayer, dos amigos Anna Mayer e Jorge Guitián, com um artigo no jornal espanhol El País, que me pareceu muito interessante, bem fundamentado e com um título -  “Non podemos comer algas como os japoneses, por saludables que parezcan” - (roubado parcialmente para este post) que imediatamente me atraiu.

 

 

O artigo é longo e bem escrito, vale a pena lê-lo na íntegra aqui, não vou resumi-lo. Basta dizer que, apesar de muitos nutricionistas verem nas algas um alimento com muitas propriedades importantes, há “um outro lado da moeda”: o excesso de iodo. Se é verdade que no Japão elas são tradicionalmente muitos usadas, também é facto que a flora intestinal dos japoneses está preparada para eliminar esse excesso de iodo, algo que não acontece com outros povos, nomeadamente os europeus. Aliás, em 2015, a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) identificou as algas marinhas como um dos riscos para a saúde no nosso continente.

 

Não vou, evidentemente, entrar nas discussões científicas sobre um assunto sobre o qual não detenho nenhuma competência. Recomendo, de novo, a leitura do artigo, para quem quiser estar mais bem informado. No entanto, espanta-me a ligeireza com que desprezamos um hábito milenar das nossas sociedades (a não utilização de algas na alimentação) em nome de modas recentes. É lógico que houve e há trocas alimentares entre diferentes pontos do globo, geralmente com produtos que viajaram bem, como, por exemplo, das Américas (tomate, batata, pimentos, etc) para outros continentes. Mas as algas são algo de muito diferente. Sempre existiram na Europa. Mas não as usávamos à mesa. Acho que vale a pena parar um pouco e pensar porquê.

 

Dito isto, de um ponto de vista gastronómico, cada vez me desagrada mais o sabor persistente e enjoativo de várias algas (são muito diversas entre elas, haverá excepções), frequentemente usadas sem critério, estragando normalmente bons peixes, mariscos e vegetais. Toda a gente adora o mar e o seu cheiro, mas “comer” o mar através das algas parece despropositado. Quem é que já não engoliu água do mar inadvertidamente num mergulho mais descuidado? É agradável?

 

 

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publicado às 14:54


1 comentário

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De João Faria a 09.12.2017 às 14:42

É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na plataforma dos blogs da Sapo promove o comentário anónimo (eu próprio caí neles diversas vezes, sem perceber que não os estava a assinar), mas ler certo tipo de comentários faz-me acreditar que o melhor seria não permitirem bitaites não assinados.

Ao contrário do Duarte - e gostos não se discutem - tenho tido boas experiências com a generalidade dos pratos com algas que me aparecem pela frente. Por mim podem continuar, até porque, não havendo o hábito de em Portugal as consumirmos diariamente (nem semanalmente e, em muitos casos, nem mensalmente), não acredito que se possa falar em "excesso"... mas é um tema que certamente merece um maior aprofundamento/clarificação por parte de quem se dedica a estes temas.

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