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Um chef português a dar cartas em Banguecoque 

por Miguel Pires, em 12.10.18

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A nossa primeira conversa decorre ainda no aeroporto de Banguecoque, enquanto esperamos pelo chefe do Antiqvvm, Vítor Matos, que por estes dias fará um jantar “a quatro mãos” com ele no seu restaurante Il Fumo. Alto, encorpado, de sorriso aberto e pronúncia do Norte bem vincada, Nelson Amorim anda há sete anos pela Ásia. Natural de Baião e formado na Escola de Hotelaria de Lamego, após terminar o curso, o jovem cozinheiro português pegou na mala e partiu. Primeiro para a Madeira, onde esteve num hotel do grupo Pestana, e depois para Angola. Pouco entusiasmado com o trabalho em África, umas férias em Lisboa viriam a mudar-lhe o rumo. O proprietário de um restaurante em Macau pediu um cozinheiro ao seu irmão António Amorim (também chefe e dono da Fábrica do Pastel de Feijão, em Alfama) e ele indicou-o. “Cheguei de férias a 7 de Agosto e em Setembro já residia em Macau”, revela. Estávamos em 2011 e ainda que o turismo fosse um dos poucos sectores a sobreviver à crise económica, o apelo para se mudar para terras mais distantes e desconhecidas foi maior. Na altura o seu raciocínio foi simples: “sou jovem, solteiro, o que tenho a perder?”. 

 

Nelson Amorim ficou em Macau apenas uns meses mudando-se pouco tempo depois para a Casa Lisboa, em Hong Kong, “um bom restaurante de cozinha portuguesa, bem cuidada e com bom produto”. O chefe nortenho permaneceu três anos no território, contudo, contava apenas 23 anos, sentia que estava a estagnar e precisava de continuar a aprender, o que o levou de novo a questionar-se: “tenho boas condições e ganho bem, porém... ou continuo aqui e acomodo-me, ou vou experimentar algo novo”. E foi.

 

Estavam a recrutar cozinheiros para o 8 ½ Otto e Mezzo Bombana, que ia abrir no Hotel Galaxy, em Macau. A casa mãe, em Hong Kong foi o primeiro restaurante italiano fora de Itália a obter 3 estrelas Michelin e o português achou que estava ali uma oportunidade para evoluir. Em Hong Kong era chefe principal, mas aqui candidatou-se a sub-chefe. Porém, também não havia vaga acabando por aceitar uma posição num posto abaixo, como chefe de partida.

 

Hoje, já com algum tempo de distância, não tem dúvidas que esse “passo atrás para seguir em frente” foi a decisão correcta. “Consegui tirar o que queria dessa experiência, de fazer algo diferente. Mudou a minha forma de ver a cozinha”, refere. Quando as oportunidades surgem há que aproveitá-las e passados uns meses estava numa entrevista, por Skype, com Luca Appino, um dos sócios de um restaurante italiano com uma componente forte de grelha, em Banguecoque, que tinha aberto a casa há pouco mais de seis meses e acabava de perder o chefe. Luca sentiu “um bom feeling” na conversa e convidou-o a ocupar o lugar vago. Amorim não precisou de muito tempo para pensar, fez de novo as malas e partiu rumo à capital tailandesa. À sua espera tinha um restaurante elegante, numa bela casa restaurada do inicio do século vinte, numa boa zona da cidade e uma clientela local assídua e com poder económico. A grelha não lhe era estranha e sentia-se minimamente à vontade para fazer uma cozinha italiana. Todavia, Amorim sentia que aquele espaço não ligava completamente com o conceito de steakhouseitaliana e aproveitou alguns problemas com fornecedores de carne para ir introduzindo propostas mais elaboradas com um toque lusitano. Nelson, conta-nos que o momento decisivo para a mudança de registo foi quando desafiou Tiago L, sub-chefe do Hotel Teatro, no Porto, que estava na cidade a estagiar no Gaggan (Nº1 do 50 Best Restaurants Asia e 5º da lista mundial), fazerem um jantar opesfreestyle. “Eu faço italiano e carnes e tu cozinha lusa”, propôs-lhe. O resultado? “As pessoas adoraram e eu vi a oportunidade para introduzir a influência portuguesa, a pouco e pouco”. 

 

Os proprietários perceberam que valia a pena explorar o lado luso em vez de apostarem em serem apenas mais um restaurante italiano entre os muitos que já existem na cidade. Luca Appino, diz que foi encorajando essa mudança, influenciado pelas diversas vezes que visitou o país, pela boa imagem actual e pelo bom momento que o país atravessa. “Portugal é trendy, mas trendycom raízes, com substância. E a cozinha portuguesa assente na tradição mas com um olhar em frente pode ser sexy”, remata. 

 

IlFumo_Nelson_Amorim.jpg

 

De italiano a português e um jantar “a 4 mãos” com Vítor Matos

 

Em breve, o termo italiano “il” cairá e o restaurante chamar-se-á apenas Fumo. Todavia, Nelson Amorim, que desde finais de 2017 tem com ele um sub-chefe luso, Ricardo Nunes, ainda está em fase de transição. É importante não criar rupturas com os clientes mais habituais, além de que ainda tem “pedra para partir”, dado que a logística para importar produtos portugueses de qualidade é complexa e onerosa (normalmente, tem de os mandar para um fornecedor seu no centro da Europa). Línguas de bacalhau, um lavagante “piri-piri”, uma garbosa “meia desfeita”, um arroz de pato distinto, ou uma mini rabanada, são alguns ingredientes e pratos com ADN luso que já se encontram na carta. Amorim quer ainda explorar a influência que as navegações portuguesas deixaram na Ásia, e em outros lugares do mundo, como, por exemplo, os fios de ovos (uma obsessão na Tailândia), ou a laranja - cuja designação em muitos países do Médio Oriente deriva do nome Portugal. 

 

Outra das acções que estão a apostar é na vinda de chefes nacionais para jantares “a quatro mãos”, como o que aconteceu em finais de Maio, com Vítor Matos. O conceituado chefe do Antiqvvm (com 1* estrela Michelin, no Porto) não conhecia pessoalmente Amorim, mas, além de ser seu conterrâneo, sabia que tinha estudado na escola de hotelaria de Lamego, onde esteve várias vezes como convidado. Neste jantar, em que fomos convidados, Vítor Matos revela que procurou não complicar. “Joguei um pouco à defesa com pratos de sabor sem serem de muita dificuldade técnica”. Com ele trouxe alguns (poucos) produtos portugueses, como pernil de porco fumado, açafroa dos Açores e geleia de marmelo, e pediu para lhe arranjarem outros que chegaram de origens diversas, como sempre acontece quando cozinha em lugares distantes. 

 

O jantar correu muito bem, perante casa cheia, e não se notou a diferença de estatuto entre os dois chefes. Os pratos foram chegando à vez, com uma roupagem contemporânea, mas com sabores de origem reconhecida. Primeiro, uma “meia desfeita” com gelado de azeite, de Amorim, seguido de uma pescada com ameijoas à Bulhão Pato e de um pregado com pernil de porco fumado, ambos de Vítor Matos. O chefe anfitrião serviu de seguida um peito de frango “piri-piri” e plâncton e, no capítulo doceiro, uma versão doce e muito própria de um gaspacho. Por fim, Vítor Matos haveria de fechar o jantar com um pudim Abade de Priscos e citrinos, uma sobremesa que impressionou a imprensa local da especialidade que, nessa tarde, participou num workshop no restaurante. 

 

No final, à conversa, o chefe convidado mostrou-se satisfeito e teceu elogios ao seu anfitrião. “O Nelson é calmo e seguro e pelo que vi, aqui, em Banguecoque, acho que esta bem enquadrado no mercado e sabe o que está a fazer”. Matos mostrou-se ainda impressionado com a brigada de cozinha dele. “A equipa é impecável. E é incrível a formação que está a conseguir fazer. Foi um ensinamento. Não foi necessário explicar os pratos mais do que uma vez. Entendiam e replicavam bem. E mal falam em inglês!!” 

 

Como quem mete uma lança em África (neste caso, ma Ásia), aos 27 anos, Nelson Amorim quer ficar por Banguecoque e está determinado em contribuir para a afirmação de Portugal em terras distantes. As suas armas são o trabalho, a perseverança e uma cozinha com base na tradição, mas virada para o futuro. 

 

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interpretação da carne de porco à alentejana

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petit four - cheese cake e vinho do porto

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leitão

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 Armada lusa em Banguecoque: Vítor Matos, Nelson Amorim e respectivos sub-chefes.

 

Contacto: Il Fumo, 1098/2 Rama IV Rd, Sathorn, Bangkok 10110, Tailândia. Tel. +66 (0) 2 286 8833; email: fb.ilfumo@gmail.com
 
 
Texto publicado originalmente na Revista de Vinhos de Julho.
 
 

 

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publicado às 15:37

 

BAHR.jpeg

  

A notícia que Nuno Mendes andava a preparar algo para o novo Bairro Alto Hotel não era propriamente uma novidade. Porém, é revelado agora que o chef português, que fechou no inicio do ano a Taberna do Mercado em Londres, mas que se mantem à frente do Chiltern Firehouse, será o responsável pelos espaços de restauração do hotel. Segundo uma brochura distribuída à imprensa e mais alguma informação que conseguimos apurar, são cinco os espaços definidos por Nuno Mendes e responsáveis da unidade:

 

O Restaurante BAHR (iniciais de Bairro Alto Hotel Restaurante) será o espaço principal de ambiente “moderno e informal”, o que parece afastá-lo do clássico restaurante de fine-dining. O restaurante que contará também com um bar será instalado no 5º andar, e incluirá um terraço com vista panorâmica para o Tejo.

 

Já o actual Terraço, no último andar, estará aberto o dia inteiro, com pratos simples e snacks mas apenas para uso exclusivo dos hóspedes. Por sua vez, o lugar onde actualmente funciona o bar, com entrada pela Rua do Alecrim, será transformado numa Pastelaria com os bolos clássicos das nossas pastelarias, e, ao lado, na Mezzanine, haverá um pequeno espaço igualmente informal, com snacks, tábuas de queijos, menu de almoços saudáveis, etc. Por último, na entrada de baixo, onde funcionava o antigo quartel de bombeiros, ficará o Bar 18.68 com um “arrojado menu gastronómico e de cocktails para desfrutar a partir do final da tarde”.

 

Os espaços de restauração bem como o hotel ampliado e renovado pelo arquitecto Eduardo Souto Moura, com interiores da dupla Bastir, José Pedro Vieira e Diogo Rosa Lã, não tem ainda data de abertura definida mas prevê-se queseja inaugurado em Abril de 2019.

 

 

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publicado às 15:18

Esquina_do_Avesso_equipa.jpg

 

Num texto anterior, referi que a restauração do Porto tem vindo a mudar havendo cada vez mais opções e novos interpretes. A afirmação vinha a propósito do Almeja, sobre o qual escrevi nesse número, mas também (ainda que não o revelasse) do Esquina do Avesso, que não sendo propriamente na cidade do Porto, se situa na sua área de influência.

 

Este espaço, o primeiro do empresário Ricardo Rodrigues - que abriria posteriormente na região a Sushiaria e o Terminal 4450 -, começou por ser uma casa de petiscos, uma fórmula fácil que costuma ser uma rampa para o sucesso, mas que nem sempre dá certo. Foi o que aconteceu com o projecto inicial, criado em 2012, na altura com o nome Taberna da Esquina, que não resultou, segundo referiu o empresário em entrevista ao site Etaste, pelo facto de a zona “estar inundada de muitos restaurantes iguais”. Porém, em finais de 2015, Ricardo Rodrigues resolveu mudar conceito e oferecer uma cozinha de autor contemporânea, contratando para o efeito o chefe Nuno Castro que se encontrava no BH Foz (e que passara antes no Cafeína, e Buhle). O inicio não terá sido fácil, mas com o passa a palavra e a ajuda das redes sociais, o restaurante agora reconvertido em casual fine dining começaria a dar que falar. E percebe-se porquê: o espaço de decoração vintage é agradável, os empratamentos de cozinha de autor são fotogénicos, a ousadia apreciada e o preço acessível.  

 

Por coincidência, quis o destino que o autor destas linhas acabasse por ir aos dois restaurantes no mesmo dia: ao Almeja, ao almoço, e ao Esquina do Avesso, ao jantar. Os dois locais têm personalidades diferentes, mas em termos gerais diria que se o primeiro é jazz, dentro do tom, com um toque “free”, o segundo é rockn’roll e bola para a frente, com o que isso tem de bom e de menos bom.

 

De bom, porque Nuno Castro tem garra e prefere arriscar com pratos que revelam uma boa dose de ousadia, do que afinar pelo diapasão de apresentar algo que é mais do mesmo. O reverso, é que dá a impressão de ter pressa de mais em resolver as coisas (em criar, em cozinhar, em empratar, em servir), o que acaba por trazer alguma inconsistência à proposta. Também me deu a sensação que se simplificasse os empratamentos (que têm sempre uma certa complexidade, com várias técnicas e diversos elementos no prato), seria mais fácil consolidar a sua cozinha, até porque está num lugar informal e descontraído.

 

O curioso é que o menu até é bem descomplicado. Não há praticamente distinção entre entradas e principais, nem grandes descrições. Os pratos têm nomes telegráficos tipo “pato beterraba e cacau”, “cavala, pepino e maçã”, “codorniz, abóbora e tamarindo”, “garoupa, raviolis e bisque”, só para dar como exemplo, os escolhidos nesse jantar.

 

Mas vamos a ele. Sábado à noite, 20.30h, casa ainda em vias de encher. Indicam-me uma mesa alta da sala de entrada. Mesa alta, hum.... Existe uma outra sala mais interior e um mezanino em cima com mais lugares. Parecem-me mais aconchegantes, mas até que a mesa alta não é desconfortável. A carta tem catorze propostas salgadas (entre os 8,50€ e os 13€) ideais para partilhar, quatro doces (6 – 7 €) e uma introdução, que fala de um lugar de “comida contemporânea”, em que se promovem “fusões de sabores, assentes em produtos frescos e de época (...) numa descoberta constante”, bem como de “uma mutação diária que resulta de uma inquietação permanente e quase insaciável”.

 

Chega “pato, beterraba e cacau”. Prato frio (em noite fria) com o pato a apresentar um agradável toque apimentado por fora, mas com o interior mais para o cru do que para o rosado, logo a oferecer demasiada resistência ao mastigar. Também faltou ligeireza e um elemento contrastante para combater a doçura a triplicar, i.e,  da carne, do puré de beterraba e do gelado de queijo de cabra que acompanhava. Havia o toque amargo do cacau e um bom confronto de texturas a quebrar a monotonia, mas até o avinagrado pickle de beterraba era mais adocicado do que devia.  

 

De seguida veio outro prato frio, que na verdade, devia ter vindo antes, “cavala, pepino e maçã”, uma ligação conhecida que funciona sempre bem, como foi o caso, que incluía ainda uma emulsão de clorofila e um “twist” interessante de pó de azeitonas pretas. Já o terceiro prato trouxe-nos algo aparentemente mais clássico: “garoupa ravioli e bisque”.  O peixe vinha no ponto e os mexilhões que acompanhavam eram bons. Porém, pediam um creme mais delicado, até porque os ravioli (de massa demasiado grossa) recheados, ao que apurei, com salmão, corvina e cavala eram no mínimo controversos. Ainda houve espaço para experimentar um prato de carne, ainda que as doses generosas dos três pratos anteriores fossem mais do que suficientes para um estômago normal. A escolha recaiu na “Codorniz, abóbora e tamarindo”, uma proposta saborosa e de encher as medidas e a pender novamente para o adocicado, mas desta vez de forma equilibrada.

 

Finalizado o capítulo (alegadamente) salgado, a questão que se colocava era se Nuno Castro iria surpreender alinhando na onda das sobremesas pouco gulosas que cada vez mais se vêem nos restaurantes de autor. Ah... esqueçam lá isso. O homem é do doce e neste parágrafo até votaria nele se não se tivesse “esticado” novamente. E assim, quer o supostamente fresco “limão, maracujá e coco”, quer o pesado cheesecake de manteiga de amendoim pareceram-me pouco meigos no palato – ou talvez a intolerância ao (demasiado)doce me tivesse tolhido o discernimento.

 

Esquina do Avesso.jpeg

 

No que diz respeito aos vinhos, o Esquina do Avesso está bem servido, com propostas a preços sensatos de casas mais conhecidas e também de pequenos produtores, pouco falados e cujos vinhos merecem ser mais bebidos, como é o caso dos durienses Mapa, de Pedro Garcias (ainda que o que tenhamos bebido - a copo - tenha sido apenas o seu correcto branco de entrada de gama, de 2016) e dos de Luís Seabra (que também se estendem à região dos Vinhos Verdes) de que bebi o seu leve mas cheio de personalidade Xisto Ilimitado tinto de 2015.

 

Uma última nota para falar do serviço, que não foi nem demasiado diligente nem teve grandes faltas. Ou seja, correu dentro do que espero neste tipo de espaços mais descontraídos: com soltura, simpatia e correcção.

 

A ousadia e os preços democráticos têm feito do Esquina do Avesso um caso de sucesso.

Poderia então dizer que em tática que faz ganhar não se mexe? Talvez. Depende das ambições e da Liga em que se quer jogar, dado que potencial para ir mais longe existe. Só falta uma certa dose de discernimento.

 

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O Chefe Nuno Castro

Esquina_do_Avesso_sala.jpg 

 

Preço médio por pessoa: 30/35€ (com bebidas). Pagou-se por esta refeição 68.50€.

 

Contactos: R. Santa Catarina 102, Leça da Palmeira; Tel: 912 286 521; Horário: Terça a domingo, 12:30h - 15h; 19:30h - 23:00h

 

Classificação: Cozinha, 16; Sala:16; Vinhos:16

 

Texto publicado originalmente na Revista de Vinhos de Março 2018. Fotos: equipa, chefe e sala: retiradas do facebook do restaurante; pratos: Miguel Pires

 

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publicado às 22:56

A comida rica de aproveitamento

por Miguel Pires, em 31.08.18

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Confesso que tenho uma ligeira obsessão por sobras. Por um lado, porque podem servir de base a pratos mais poderosos (leia-se, mais saborosos) e, por outro lado, porque fui educado a não desperdiçar comida. Em criança, no Natal, não me interessava nada o “bacalhau com todos” da noite da consoada (aliás, achava aquilo mesmo muito deprimente), mas sim antes a “roupa velha” que a minha mãe fazia no dia seguinte com o que sobrava. Com o pão, não era muito diferente, da torrada com manteiga simples, às açordas, passando pelas rabanadas, ou pelo o pão frito do ensopado de enguias ou de cabrito, tudo aquilo me sabia muito melhor do que qualquer pão fresco, mesmo que um pão acabado de fazer fosse algo fora de série.

 

 

 

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publicado às 16:26

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É um dos assuntos mais falados dos últimos anos no mundo dos vinhos e uma tendência actual que veio para ficar. Nem todos gostam do rótulo “vinhos naturais”, mas é esse o termo que tem vingado para designar um conjunto de vinhos, a filosofia e modo de vida de produtores de intervenção mínima e agentes deste nicho de mercado, como Os Goliardos.

 

 

 

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Carme Ruscalleda acaba de anunciar, esta manhã, em comunicado de imprensa, que no próximo dia 27 de Outubro o seu restaurante Sant Pau, em Sant Pol de Mar, Catalunha, servirá a sua última refeição. A chefe catalã do Sant Pau, aberto há 30 anos e com três estrelas Michelin desde 2006, sublinha logo no inicio do texto, que não se vão retirar. “Vamos reinventar os nossos compromissos profissionais e dar-lhe outra volta, conteúdo e futuro ao nosso departamento Cocina Estudio”, refere. Segundo Cristina Jolonch, hoje, no La Vanguardia, a sua filha e do seu sócio e marido Toni Balam, Mercè Balam Ruscalleda, abrirá um bar nesse mesmo local.

 

 

 

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publicado às 13:50

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"Estávamos convencidos que as pessoas fariam filas para comer no nosso restaurante; não tínhamos dúvidas que o telefone iria tocar sem parar. Claro, ninguém ligou a reservar. No primeiro dia, com o restaurante vazio, chegou um ciclista...vestido à ciclista. Encostou a bicicleta, veio ter connosco e perguntou se lhe arranjávamos qualquer coisa para comer. Dava para ignorar o capacete e a camisola de ciclista, mas os sapatos... aqueles sapatos faziam um barulho inesquecível. Estava claro que as coisas não iam ser fáceis."

 

 

 

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publicado às 19:03

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No inicio desta semana houve o veredicto. A contagem decrescente aproximava-se do fim e Asador Etxebarri afinal caia de 6º para 10º e lá se ia a previsão de muitos. Chega a vez do 4º lugar e o apresentador anuncia o nome: "Eleven Madison Park". Burburinho na sala. Até hoje, ou pelo menos na era recente dos prémios, nunca ninguém tinha caído de 1º para 4º lugar. Acontece. Querem ver que vai mesmo ser o Mirazur  a subir ao degrau máximo do pódio? “3º lugar... MIrazur!”. Pronto, não vai mas sobe e vai-se tudo decidir entre o Celler e a Osteria Frencescana. Os colegas espanhois roem as unhas enquanto que os italianos já vão nos dedos. 2º lugar... Celler de Can Roca... e não é que a Osteria Francescana leva o caneco?! Como dizia uma amiga jornalista italiana, “não vamos ao mundial, mas temos o melhor restaurante do mundo”. É isso mesmo. E o resto? E mais números? Então aqui vão:

  

. A lista de 2018 inclui restaurantes de 23 países e apresenta 9 novos: 6 que fazem sua estreia e 3 que retornam de novo.

 

. A Espanha é o país com mais restaurantes representados na lista: 7 - um a mais do que no ano passado, o Desfrutar - , entre os quais 3 no top 10: El Celler de Can Roca (em 2º); Mugaritz (9º) e Asador Etxebarri (10º).

 

. Os EUA vêm a seguir com 6 restaurantes entre os 50.

 

. A França, tem 5, entre eles 2 nos 10 primeiros: o Mirazur (3º), em Menton e o Arpège (8º) de Paris.

 

. Inglaterra e Itália são representados por 4 restaurantes cada, o Peru tem 3, entre eles o Central (6º) e o Maido (7º), ambos de Lima, no top 10.

 

. O Disfrutar (na foto de entrada deste post) em Barcelona continua sua ascensão e conquistou o prémio de maior entrada, estreando-se na 18ª posição, enquanto que o Den em Tóquio, Japão, tem a maior subida entre os que já lá estavam, subindo da 45º para a 17º lugar.

 

. O Hiša Franko, o primeiro restaurante esloveno do ranking, estreou-se em 48º, o que representa outra vitória para Ana Roš, vencedora de 2017 do prémio de Melhor Chefe Mulher de 2017. Por sua vez o Mikla (44º) em Istambul é o primeiro restaurante da Turquia na lista desde 2002, e o Maaemo (35º), em Oslo, traz a Noruega de volta pela primeira vez desde 2003. O Lyle’s de James Lowe, em Londres também é um recém-chegado, estreando-se na 38ª posição, enquanto que o O Nihonryori RyuGin (41º) de Tóquio, Japão, o Schloss Schauenstein (47º) de Fürstenau, Suíça, e o The Test Kitchen (50º) da Cidade do Cabo, África do Sul, voltaram a fazer parte dos eleitos.

 

. Estiveram presentes na cerimónia os chefes de 49 dos 50 restaurantes. O único que faltou foi Alex Atala, do D.O.M., que caiu este ano de 16º para 30º.

 

. Portugal, que pertence à mesma zona geográfica da fortíssima Espanha, continua apenas com um restaurante e somente na segunda parte da lista. É o Belcanto que ficou em 75º lugar e ainda assim subiu 10 posições. Números...

 

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publicado às 22:59

“Francescana is my Favourite place”

por Miguel Pires, em 21.06.18

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Andar há vários anos entre congressos e outros eventos gastronómicos ou simplesmente pelo mundo em busca de lugares interessantes para comer leva-nos a conhecer algumas das personalidades do mundo da cozinha, como os tão venerados chefes rock-stars.  Com uma ou outra excepção, os que estão mesmo lá em cima, os grandes actores destes palcos, não só possuem um trabalho estimulante, como carisma e um discurso cativante. Massimo Bottura é um desses casos.

 

 

 

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publicado às 08:51

BOTTURA.jpg

 

Acaba de ser anunciado, numa cerimónia que ainda decorre em Bilbau, a lista do "The World 50 Best Restaurants", que consagra a Osteria Francescana, do Chefe Massimo Bottura, como o Melhor Restaurante do Mundo de 2018. 

 

"As mihas primeiras palavras vão para a minha equipa em Modena", começou por dizer o chefe italiano para depois agradecer às equipas que fazem os refeitórios sociais que montou em Milão e Paris . Let's keep, rock n' Roll. Agora, festa! 

 

Eis a lista completa:

 

 

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