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Estar à mesa com pessoas que apreciam o que comem e bebem e que, mais do que isso, sabem bastante sobre cozinha e vinhos é muito bom. Foi o que me aconteceu há dias numa jantar vínico no Restaurante Viva Lisboa. Um grupo não muito grande, um jantar em que à mesa estava o produtor de vinhos, Rui Virgínia da Quinta do Barranco Longo no Algarve, o escanção responsável pela escolha e combinação dos vinhos com os pratos, Bruno Antunes, e ainda um dos chefes responsáveis pelo menu, Miguel Laffan. Condições reunidas para uma óptima experiência. E assim foi…

 

 

Começando pelo princípio... o tom depreciativo com que por vezes se fala da comida dos restaurantes de hotel em muitos casos já não se aplica. Cada vez há mais hotéis cujo objectivo é transformar os seus restaurantes em mais um factor de atracção pela sua qualidade. É o caso do Neya Lisboa Hotel que decidiu apostar no seu restaurante Viva Lisboa numa cozinha criativa de qualidade, baseada na tradição, mas não limitada por ela. Para levar a cabo esta tarefa conta com Miguel Laffan, como consultor, e Pedro Santos Almeida, como chefe executivo. E, descobri no site, uma equipa com um grande número de mulheres.

 

O jantar vínico em que estive presente foi confeccionado a quatro mãos. Propostas de Miguel Laffan e de Pedro Santos Almeida. Este, com apenas 23 anos, pertenceu à equipa do L´AND Vineyards durante 3 anos, conhecendo bem a cozinha de Miguel Laffan, mas introduzindo também a sua marca.

 

Começámos com um QUÊ 1 Reserva Bruto Branco e com ele:

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Ostra na sua casa com espuma de mar, algas e salicórnia

 

Seguiu-se o Barranco Longo Branco 2014 (Arinto e Chardonnay) e um dos pratos que deu que falar no jantar. Ainda vai sofrer alguma afinação antes de poder ser introduzido na carta, mas é já um óptimo prato de carne, com influências muito orientais. Uma explosão de umami e sabores que o vinho conseguiu aguentar muito bem.

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 Vitela barrosã em nori, tártaro da mesma, coulis de salsa anisado, wasabi, rábano e soja caseiro

 

Terminadas as entradas, o prato de peixe foi acompanhado pelo Barranco Longo Chardonnay 2013.

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Bacalhau fresco confitado, vieira braseada em manteiga d’Isigny e cogumelos com molho de champanhe

 

Com o prato de carne veio o Remexido Tinto. Porquê este nome? “«Remexido» era a alcunha de um guerrilheiro algarvio, nascido em Estômbar e que viveu em Messines […]. Era uma figura de guerrilheiro algo romântica, que se rebelou contra a ordem estabelecida, um miguelista que, no século XIX, se bateu contra as tropas Liberais de D. Pedro I e acabou fuzilado em Faro. Era também uma espécie de Robin dos Bosques algarvio, ou pelo menos assim ficou recordado nas memórias e nas lendas. Era, como salientou Rui Virgínia, «um espírito rebelde da serra». Como rebeldes são os vinhos «Remexido» …*

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 Magret de pato assado com creme de beterraba e aipo trufado, lascas de foi egras e couve chinesa

 

Muito interessante a combinação da beterraba com framboesas no molho, que lhe dá um carácter mais suave e frutado.

A sobremesa foi “desenhada” para o vinho, o KO Colheita Tardia com notas de alperce e citrinos. Este é um vinho branco doce feito com uvas passas de Viognier, Chardonnay e Arinto. As videiras são cobertas com redes, para que os pássaros não comam as uvas e estas desidratem naturalmente na vinha.

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 Pêssego confitado em calda de alfazema com biscoito de cacau, gelado de laranja e macadâmia

 

Um óptimo jantar, temperado com interessantes conversas e a paixão daqueles envolvidos na sua preparação. Mais um local para desfrutar de uma boa cozinha em Lisboa.

 

* Texto Daqui

Foto inicial do site do Restaurante.

 

Contactos:

Viva Lisboa – Neya Lisboa Hotel

Rua D. Estefânia nº 71- 1150-132 Lisboa

Telef. 213 101 801

 

 

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publicado às 18:58


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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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