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Conheci o Guilherme Corrêa em Outubro de 2017 num jantar do Restaurante Vista, onde Chefe João Oliveira e a Amuse Bouche organizavam o evento Mar Adentro. Nesse repasto, em que se pretendia divulgar peixes e mariscos menos valorizados, mas de grande qualidade, o Guilherme estava ali como escanção convidado para dar vida aos vinhos de culto apresentados nessa noite, do seu amigo importador e “seleccionador de raridades”, Jô Mendes.

 

 

Entre umas boas garfadas e uns goles de Buisson Renard, (Avé Daguenau!), Guilherme Corrêa, duas vezes o “melhor sommelier do Brasil” pela ABS/ASI, contou-me que se tinha instalado há poucos meses em Portugal e que preparava, junto com uns amigos, uma loja de vinhos com uma forte componente experiencial, em Lisboa.

 

Nestes últimos dois anos fomo-nos encontrando por aí, em eventos ligados à nossa bebida preferida, sobretudo nos da Revista de Vinhos, onde ambos colaboramos. Desde logo, apreciei a sua abertura e conhecimento sobre vinhos de intervenção mínima de pequenos produtores. Neste período, acabei também por conhecer o Igor Beron, também escanção, seu amigo, e agora sócio, frequentador de tudo o que mexe à volta dos vinhos naturais – ainda que seja um eclético que não se fecha em capelinhas.

 

Previsto para começar no final desse ano de 2017, o tal projecto, que além de Guilherme e Igor, junta igualmente o empresário e apaixonado por vinho Rômulo Mignoni , arrancou finalmente neste mês de Agosto. Chama-se Wines by Heart, um nome que já era conhecido entre enófilos e profissionais da restauração – uma vez que o atraso do projecto relacionado com obras e licenças, levou-os a dedicarem-se à importação e distribuição de vinhos, algo que só estava previsto mais para a frente.  

 

O que tem o Wines by Heart de diferente e o que é que é isso de “componente experiencial”?

 

Bom, em primeiro lugar trata-se de uma garrafeira com uma óptima curadoria. Sim, estão lá muitos dos vinhos troféu que se encontram em outros lados, mas também dezenas de joias de pequenos produtores, nacionais e estrangeiros, importados ou distribuídos por eles e por terceiros. Segundo Guilherme Corrêa, “são 800 referências e vamos chegar a 1000: 50% portuguesas e os outros 50% estrangeiras. Não são só vinhos nossos. Somos abertos a todos os que trabalham bem”.  

 

Dentro da ideia de “wine experience”, ou de “experiência de consumo na loja”, como lhe chama o Guilherme Corrêa, a Wines by Heart  engloba ainda uma vertente gastronómica que vai muito além do que é comum num wine bar. Na verdade, não deixa de ser um restaurante só que com mais regras e restrições. É que aqui vive-se em função do vinho. Por exemplo, não há pratos com ovo cru, avinagrados ou temperos tipo vinha de alhos ou criatividades mirabolantes.  “Como wine bar não precisamos de uma cozinha de autor, onde depois fica difícil de encaixar o vinho”, explica Guilherme Corrêa. “O que queremos é ter produtos de grande qualidade transformados de forma simples, de modo a que cada vinho se possa enquadrar aqui”.

 

À frente da cozinha está Rodrigo Osório, também brasileiro como os proprietários. Embora tenha estudado em Itália e trabalhado em restaurantes como o Piazza Duomo (3 estrelas Michelin, em Alba), Rodrigo tem noção do seu papel e do conceito da casa. Afinal, no passado, já trabalhou numa enoteca, no Brasil, com os seus conterrâneos. “É importante haver um conceito que guia o processo criativo. Então não fazia sentido pensar nos pratos sem pensar nos vinhos”, explica o cozinheiro. “Os nossos pratos tiveram vários ajustes em temperatura, acidez e gordura para deixar campo para os vinhos”. Ou como resume Guilherme Correia, o nosso conceito “não e wine friendly é wine driven”.

 

Porém, não é caso para grandes stresses (mesmo se for abstémio), porque as restrições são bem discretas, pelo menos a ver pela amostra de alguns pratos experimentados num almoço de apresentação. É que com a excepção de uma moqueca limpa da sua rusticidade, a cozinha internacionalista e descontraída de Rodrigo valoriza o produto, é saborosa e bem executada.

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Pão da Gleba, manteiga Batida (Marinhas) e um “lardo” muito bom feito na casa (à esquerda) e carapau e keffir (à direita).

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 A carta do restaurante é variada e apesar de pensada para acompanhar o vinho deixa espaço para algumas propostas descontraidas e meio desconcertantes, que fogem às habituais tábuas de queijos e enchidos. Katsu tuna, kimchi e ovas de truta (à esquerda) e taco de rojões, cebola rocha e coentros (à direita).

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Moqueca e perna de carneiro

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Morangos macerados com telha merengada, cheesecake de cereja e tarte de chocolate com caramelo salgado  

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A Wines by Heart, que também tem loja online, fica na Rua Rosa Araújo, uma das ruas “douradas” na zona da Avenida da Liberdade e apesar de nitidamente se dirigir a um segmento com bom poder de compra, não é uma loja “bling”. Pratica preços competitivos (hoje em dia todos se vigiam pelas cotações de sites como o Wine Searcher) e embora seja fácil tropeçar em muitas garrafas acima dos cem euros, é possível encontrar muitos vinhos interessantes entre os quinze e os trinta euros. Em termos de comidas, a opção por produtos de grande qualidade tem um preço. Petiscar custará pelo menos uns quinze, vinte euros e uma refeição a sério andará na casa dos trinta, quarenta euros. Depois há toda uma série de vinhos para  acompanhar. São 80 a copo a partir de seis euros. Também é possível abrir qualquer vinho comprado na loja mediante uma taxa de rolha de quinze euros, o que não sendo propriamente uma pechincha, pode ser interessante quando se quer abrir uma garrafa especial.

 

Endereço: R. Rosa Araújo 35, 1250-194 Lisboa; Telefone: 21 354 0772

 

Horário Garrafeira: segunda a quarta, 10-23h; sábados, 10-23.30h. Bar: segunda a quinta, 12.30-23h; sábados, 12.30-23.30h. Restaurante: segunda a sábado, almoço - 12.30-15.30h; Jantar - segunda a quarta, 19.30-23h; quinta a sábados, 19.30-23.30h. Encerra aos domingos.

 

Fotos: Miguel Pires. Na primeira imagem: Guilherme Corrêa, Rodrigo Osório, Rômulo Mignoni e Igor Beron

 

 

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publicado às 22:50



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